Verde

Esta sou eu antigamente, quando era faixa laranja. Agora sou verde. Fico olhando para essa foto e pensando, credo: eu nem dobrava os joelhos. Parece que nem tenho joelho. É praticamente uma perna de pau.

 

Aqui, da esquerda para a direita, eu, Kill Bel, Denise e Fernando fazendo a seqüência de bastão parado. Coisa de faixa laranja. Agora que estamos na faixa verde, é bastão andando. Bastão parado é algo que qualquer dona de casa com uma vassoura consegue fazer, num dia de fúria. Já andando, é outra história.

Enfim, agora sim, começo a fazer Kung Fu. Hei!



Escrito por Índigo às 10h29
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Dupla – parte 3

 

Hoje tem lançamento de outra dupla. Emílio Fraia e Vanessa Barbara, que escreveram “O verão de Chibo”.
Hoje, na Livraria da Vila da Fradique. 19 horas.

Aliás, no segundo semestre vou lançar um livro também escrito em co-autoria.
Minhas companheiras: Ivana Arruda Leite e Maria José Silveira.
O livro: “Uma amizade improvável”, pela editora Ática.

Aguardem...



Escrito por Índigo às 11h19
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Dupla – parte 2

 

Escrevi o post de hoje de manhã e passei o resto do dia pensativa. O que escrevi não é verdade. O problema não é trabalho em dupla. Pensando friamente no assunto, me dei conta. Não, se eu estou aqui apanhando e perdida, é por outro motivo. É porque estou trabalhando num universo que não é infantil. É isso! Eu estou me sentindo perdida porque saí do meu território. Pronto, agora sim, um post honesto. Dito isso, posso voltar a trabalhar.



Escrito por Índigo às 16h58
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Dupla

 

Estou trabalhando numa criação conjunta. Quando aceitei o convite, achei que seria tranqüilo. Já fiz isso antes, não sou nenhum bicho do mato. O parceiro é um figura que admiro, proposta bacana. Topei.

Corta, três meses depois.

Sou, sim, um bicho do mato. Sou egoísta e possessiva. Sofro, travo, fico de bode, me acho o pior dos seres humanos. Vou pro Kung Fu e fico chutando, socando e apanhando até me sentir melhor. Volto pra casa, respiro fundo e resolvo fazer o negócio dar certo. Vai dar certo!




Escrito por Índigo às 10h10
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A caveira de cristal

 

 Eu me lembro como se fosse ontem da primeira vez que Andrea Delfuego me contou sobre seu livro “Sociedade da caveira de cristal”. A gente estava no ônibus. Ela foi contando o livro que tinha acabado de escrever. Eu pensava:

“Meu Deus, a Andrea enlouqueceu.”

Mas não falei nada.

Quando ela me entregou o livro, há poucas semanas, pensei: “Ai, é o livro doido”.

Li e... batata: é uma história bem louca. Mas a Andrea é ótima escritora e por isso ela consegue conduzir uma trama mega-sofisticada sem nunca perder o controle. Você embarca no livro e tudo faz sentido. Ela junta: games, computadores, epidemia, calendário inca, telepatia e civilizações antigas, na boa, sendo que tudo ali tem fundamento. O que seria uma loucura só, vira um negócio instigante e misterioso.

O “Sociedade...” me lembrou os primeiros livros de detetive que li, quando adolescente. A adrenalina é a mesma. A Andrea sempre foi mestra em armadilhas e trucagens. Só que antes, era só para adultos.


O lançamento é amanhã!

Livraria da Vila da Fradique Coutinho

Das 19 às 21h - dabate sobre “Literatura e o mundo virtual”, com Sérgio Boggio, Rafael Kenski e Nelson de Oliveira.



Escrito por Índigo às 10h56
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O fazedor de velhos

 

Quando olhei para a capa, pensei: será que isso é mesmo um livro infanto-juvenil?
Coisas da Cosac Naify. O livro é todo austero. Mas o autor é divertidíssimo, além de ser meu amigo. Quando comecei a ler, já fui predisposta a gostar, pois gosto muito de tudo que o Rodrigo Lacerda escreve. Mas esse “Fazedor de Velhos” com esse título misterioso, foi o livro mais gostosos que caiu nas minhas mãos esse ano. Por livro gostoso quero dizer aquele livro que não deixa a gente sair à noite pra balada, não deixa que você ligue a televisão ou saia do sofá. É o livro que no quarto capítulo me fez gargalhar feito doida. E nos dois últimos, tirou lágrimas sinceras.

Fora que, da metade para frente, o Rodrigo faz uma coisa que sonho conseguir fazer algum dia. A história se passa dentro de uma casa. Eu amo livros que ficam em casa. A bolha de vidro do velho Nabuco já virou um desses lugares imaginários pelo qual a gente tem o maior carinho. Certamente voltarei lá outras vezes.
Ah, sim, respondendo a pergunta. Claro que é literatura infanto-juvenil. Das boas!



Escrito por Índigo às 10h23
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Mais uma carta para a galera do Santa Maria

Queridos alunos:

 

Essa aqui é para esclarecer um pequeno mal-entendido. Não é que eu tenha escrito um livro inspirado em vocês. É diferente. O livro já estava escrito. Terminei em abril e o coloquei de lado. Então, esses dias eu voltei a ele para a última leitura antes de entregar para o editor.
Nessa última leitura, eu gosto de fazer o seguinte exercício: leio o livro fingindo que foi escrito por outra pessoa. Mais que isso, gosto de tentar adivinhar o que um leitor de 11, 12 anos pensaria daquele livro. Foi aí que vocês entraram em ação. Quando fiz essa última leitura, pensei muito em vocês, fiz de conta que eu era uma aluna do quinto ano. Foi isso.

Sei que não é tão emocionante quanto ser fonte de inspiração para um livro, mas para mim foi igualmente importante.



Escrito por Índigo às 11h06
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As fichas

 

Escrevendo sobre situações de sala de aula, acabei lembrando de um detalhe bem estranho da minha terceira série.

A gente trabalhava com fichas. Tínhamos de completar tantas fichas por semana. Matemática, português e ciências. Você chegava na sala de aula, pegava uma ficha plastificada numa caixinha e tinha de completar o exercício que estava ali. Depois você passava para outra ficha. Existia uma espécie de cota. Eu nunca dava conta de completar as fichas. Ficava olhando para os outros colegas “trabalhando”, ou pensava em fantasmas, pois nessa época minha casa era cheia de fantasmas, tentava lembrar se no meio da noite eu realmente tinha saído voando pela janela ou se tinha sido só sonho.

-        Ana Cristina! O que você está fazendo?

Era uma vida confusa. Às vezes eu me esquecia do que devia estar fazendo e ficava parada no meio da classe, com uma ficha na mão, sem saber para onde ir.


-        Ana Cristina, eu estou falando com você!

Eu sabia que a professora estava certa. Todo mundo sabia o que fazer. Por que eu não conseguia completar aquelas fichas idiotas e pronto? Morria de raiva por não conseguir. Mas sabia que no futuro aquilo não teria importância.

-        Ana Cristina, pelo amor de Deus!

Eu estava certa.



Escrito por Índigo às 11h02
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Breve carta para os alunos do Santa Maria

Queridos alunos:

Tem épocas, na vida de um escritor, que a gente tem a sensação de que está falando com as paredes. Ao contrário das outras artes, eu nunca vejo a cara do meu público. Um cantor de rock enxerga seus fãs ali, gritando e cantando junto com ele. Um ator de teatro fica cara a cara com seu público. Mas escritor... É tudo tão distante....  Às vezes até esqueço que tenho leitores. Não de blog, leitores de livro mesmo.

Por isso essa cartinha. O fato de vocês terem surgido (por aqui e por emails) ajudou bastante.

Estou justamente terminando um livro. E hoje cedinho, quando fiz a última leitura, fingi que eu era uma aluna do Santa Maria. Tentei me colocar na cabeça de vocês para ver se as histórias que escrevi têm a ver. Então, deixo aqui meu agradecimento. Agora, vocês estão muito mais pertinho do que podem imaginar.

 

Beijoca, Índigo



Escrito por Índigo às 12h33
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O narrador maldito

Por aqui, terminando um livro de crônicas. Uma pena ter de terminar. O certo seria ficar com esse livro mais um tempão. Ele está um pouquinho esquizofrênico. Está sofrendo interferências.

No meio do texto entra uma voz que não é a do narrador. É resquício de outro livro, de outro personagem. Um personagem chato que fica rondando minha escrita, querendo voltar. E se eu vacilo, ele entra e deixa o texto todo burocrático. Essa etapa é praticamente trabalho de caçador.



Escrito por Índigo às 12h19
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Rascunho - parte 2

No rascunho desse mês, a segunda parte daquele ensaio que Luiz Bras escreveu sobre minha literatura.

Esse é um exemplo raríssimo de crítica de literatura infanto-juvenil. Então, vale dar uma olhadinha. Clique aqui.

 

Num outro departamento, tem uma matéria que fiz para a TPM de junho, já nas bancas. Assunto: ex-namorados. Eu estava morrendo de medo dessa matéria, mas como meu ex acaba de telefonar dizendo que adorou o texto, fico mais sossegada. Ufa!



Escrito por Índigo às 10h56
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Estapeada e feliz

 

Outro dia tive de fazer meu treino de Kung Fu num horário mais cedo. Quando entro, seis garotos. Entre 14 e 20 anos. Lembrei dos meus tempos de escola. Meus coleguinhas. Uns monstros. Se fosse naquela época, coitada da intrusa.

E foi aí que tive minha grande surpresa. Algo mudou. Eles estavam ali para lutar e lutamos. Eu era uma lutadora. Pronto. Vamos treinar. Hei! E eles mandavam bala. Sem dó. Foi um dos treinos mais legais que já fiz. Eu lembrava dos meninos da minha geração. Ridículos. Eles ainda circulam no mundo. Ainda com traços de uma mentalidade tonta. Mas ali vi uma melhora significativa na qualidade mental de uma geração. Foi uma sensação que nem cabe num blog. Num post.

PS – Enquanto isso, ontem levei um tapa durante o treino. Sem querer. A minha reação foi virar para o cara e lhe dar uma bronca. O professor ficou surpreso, olhando para mim. Só depois eu me dei conta. Meses atrás eu nunca viraria e daria uma bronca daquele jeito. Não é da minha natureza. Ou melhor, não era.



Escrito por Índigo às 11h10
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Onde tudo começou

 

Estou fazendo um experimento. Voltando aos primeiros livros. Aqueles que li quando criança e fizeram com que eu me apaixonasse pela literatura. Estou tentando descobrir agora, com olhos de adulto, o que havia naqueles livros. O primeiro que reli foi “O sofá estampado”, da Lygia Bojunga. O texto continua vivo, moderno e genial.

Ontem comecei “Uma casa na floresta”, da Laura Ingalls Wilder. Eu era doida por essa série.

Foi um choque. O livro perdeu a validade. Bastou o primeiro capítulo para eu perceber como mudou nosso jeito de pensar, dos anos 70 para cá. Minha lembrança era de uma menininha filha de pioneiros, vivendo na floresta, uma vida cheia de aventuras e um ambiente muito aconchegante. Agora, eu diria que é a história de uma pequena serial killer.

Alguns trechos:

 

“A tarefa de esquartejar o suíno foi bastante divertida.”

“Assim que o suíno deixou de viver, Pa e tio Henrique mergulharam-no diversas vezes na água fervente, até que ficasse bem escaldado.”

"“Ele estava soprando a bexiga (do porco). Transformou-a num pequeno balão, amarrou a extremidade com um barbante e depois deu-a a Mary e Laura para brincarem. As duas meninas jogavam-na para o ar e depois, quando a bola ia cair, batiam nela com mas mãos espalmadas. Quando a bola caía no chão, pulava como se fosse de borracha. Mas o rabo do porco era mais divertido.”



Escrito por Índigo às 10h47
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Diários


Na semana passada, comecei um novo diário. Esse é o vigésimo nono caderno que começo desde que comecei a escrever, aos 11 anos. Com tantos anos de diário, você pensaria que descobri a melhor maneira de escrevê-lo. Bem, começo a ter uma noção.

Tem duas coisinhas que gostaria de passar pra frente, pois foram descobertas importantes. Se tem alguém aí fora que também escreve diários (não blog), acho que vai entender do que estou falando.

  1. Não subestime os dias comuns, em que nada de especial aconteceu. Durante muitos cadernos, se não acontecia nada de espetacular no meu dia, eu escrevia que nada aconteceu. E como me arrependo! É impressionante como depois, com o passar do tempo, você vai querer voltar ao dia mais normal de todos. Aprendi a registrar os nadas. É como aquelas fotografias de cotidiano, infinitamente mais interessantes que as de dia de festa.
  2. Não subestime os fatos. Tenho mania de gastar muito mais papel com devaneios que com fatos. Hoje considero isso um erro. Os pensamentos vão entrar para seu diário de qualquer jeito. Mas fatos, a menos que você permita, não entrarão. Foco nos fatos!


Escrito por Índigo às 10h58
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A caminho da verde

 

 Enquanto isso, no maravilhoso mundo do Kung Fu, tenho treinado para o exame – da faixa laranja para a verde. Ontem o grande mestre ficou impressionado com o que viu. Algumas semanas atrás seu comentário foi:

“Está horrível. Horrível.”

Ontem, surpresa...

Basicamente o que mudou é que agora Kill Bel e eu temos atitude. Atitude de lutadora. No começo éramos duas patas chocas. Agora parecemos duas possuídas. Tem horas, durante o treino, que me olho no espelho e não me reconheço.
Ainda não comecei a rugir, como alguns colegas da faixa marrom. Mas não duvido de mais nada. É questão de tempo.



Escrito por Índigo às 09h52
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Apenas fatos

 

Eu evito ficar embarcando nas armadilhas dos eletroeletrônicos, mas tem dia que é difícil fingir que eles não conspiram entre si. O que você diria se, em três dias:

1 - Seu celular pára de fazer o barulhinho de que está ligando, embora ele esteja.

2-  Sua internet desaparece.

3 – Sua máquina de lavar começa a soltar fumaça e a tomada na parede vai derretendo, sendo que uma semana antes, a tomada do seu secador de cabelo fez a mesma coisa.

São fatos. Como eu disse, me recuso a acreditar que eles... Bem, melhor parar por aqui. Eu me recuso!


PS – Isso para falar no controle remoto da garagem que só funciona quando o vizinho aperta o botão. Com o meu dedo no funciona. A mesma coisa com o tocador de MP3 que só funciona quando meu namorado liga. Mas eu vou parar por aqui.



Escrito por Índigo às 10h59
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O perigo da terceira pessoa

  

Eu admiro as pessoas que conseguem escrever na terceira pessoa. Mais que isso. Adoraria escrever um livro em terceira pessoa. Mas não consigo. Agora cá estou, com um texto 75% pronto e tendo de passar tudo para a primeira. Algumas coisas acontecem na terceira pessoa.

 

  1. O humor se vai.
  2. Perco a sinceridade.
  3. Meu texto fica extremamente cafona. Começo a escrever sobre a neblina que passeia entre as árvores. Deus me livre!


Escrito por Índigo às 12h02
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