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Os verdes
Desde 2002 estou buscando um título para um livro que escrevi e nunca foi para lugar algum justamente por isso. Porque ele não tinha título. São seis anos buscando. Bem, ontem ele veio. Assim, num plim. Agora o livro vai começar a andar. À noite sonhei com pessoas verdes. Era uma fila delas. Todas verdinhas feito abacates. Algumas dessas pessoas não tinham cabeça. Só que eu me dei conta do sonho antes de abrir os olhos. Daí é sempre aquele problema. Tive certeza que se eu abrisse os olhos, encontraria uma pessoa verde sem cabeça ao pé da minha cama. Acho um saco quando isso acontece. Mas eu também sei que pessoas sem cabeça são como livros sem título. Como encontrei o meu, ao abrir os olhos não havia ninguém ali.
Escrito por Índigo às 09h02
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Os faixa-roxa
Há tempo estou pensando em dizer algumas coisinhas sobre os “faixa-roxa”. Primeiro, eu achava que era uma coincidência. “Hum... que coisa curiosa. Todos os faixa-roxa são uns imbecis,” pensava. Mas não é isso. Eles são pessoas como você e eu, mas, ao chegar nessa faixa, algo acontece. Quando eu era branca, tinha um faixa-roxa que por pouco não cuspia na minha cara. Então ele passou para a vermelha e imediatamente se transformou no meu melhor amigo. Agora ele interrompe o treino dele para me ajudar no que eu precisar. Ele fica reparando em como eu chuto, e quando dou chutes perfeitos, ele se alegra: “Isso! Isso!”.
Ontem um roxo começou a me cutucar no meio do treino. Botou o dedo indicador no meu ombro e foi me empurrando. Depois tentou meter porrada em mim, e no final parou ao meu lado para criticar minha “viradinha”.
Só que esse vai ter que se esforçar muito mais para me irritar. Sei que não é culpa dele. Ele está passando por um período difícil. Logo mais ele vira faixa vermelha, ganha uma espada e me deixará em paz. Ai ai... nada como ser uma laranja esclarecida.
Escrito por Índigo às 09h11
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Orange
A faixa amarela era apenas uma branca melhorada. Mas a laranja... A laranja é poderosa, e agora eu sou faixa laranja. Uma pessoa de faixa laranja já provou muita coisa na vida. Ela pisa na academia e todos a cumprimentam com admiração. Antes, as pessoas me cumprimentavam. E eu achava isso bom, porque significava que elas me enxergavam. Mas agora tem essa diferença: “com admiração”.
É um laranja fosforescente que transmite uma mensagem clara. É o tipo de laranja que já é uma nuance de vermelho. Um laranja quase sangue. Um laranja que passa um recado.
Escrito por Índigo às 09h15
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Isso que dá ficar escrevendo
Mais um dia em que passo a manhã inteira escrevendo e esqueço do blog.
Como diz minha mãe: “você tem trabalhado ou só está escrevendo?”.
Eu só estou escrevendo, mas acho... começo a achar que esse é meu trabalho.
Escrito por Índigo às 11h38
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Enquanto isso, no campo de batalha
Kill Bel e eu fomos escaladas para o próximo exame de faixa. Será no domingo. Depois de uma semana sem fazer rolamentos, ontem eu fiz. Tudo certo. Sarei da dor do tombo da escada. Estou pronta para a faixa laranja. Essa é a faixa em que ganhamos armas. Ganhamos não. No Kung Fu não ganhamos nada. Nós adquirimos direito a armas. Até agora tudo foi aquecimento. O verdadeiro Kung Fu vai começar na semana que vem, se eu passar no exame, é claro. Se bem que, não é por nada não, mas eu vou passar. Estou treinando feito uma doida e... bem, eu vou passar.
Escrito por Índigo às 09h01
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60
Quando vejo as fotos da Suzana Vieira sambando no carnaval, penso: “eu só não quero chegar aos 60 anos assim”.
Aos 60, se possível antes, gostaria de estar num sitiozinho, numa varanda, na minha cadeira de balanço. Aos 60 terei largado o infanto-juvenil com seus dramas todos. Só vou escrever histórias para crianças. Com outros dramas. Dramas com trama. Se possível, fazendo rimas melhores que essa. Vou usar vestidos lilases. Alguns pequenos pôneis, também lilases, vão pastar por ali. A Valentina, incrivelmente velha, ainda caçará borboletas. Esse é o plano.
Escrito por Índigo às 08h59
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Lourenço Castanho - parte 2
Complemento:
Esqueci de dizer: eu me formei em jornalismo. Adorei ter estudado jornalismo, mas a profissão em si não me entusiasmou. Não vejo graça em trabalhar com informações reais, objetivas e factuais. Antes pensei em fazer arqueologia por influência do Indiana Jones. Antes ainda pensei em fazer hotelaria porque sempre gostei de alinhar talheres e toalhas. Ah, sim, me formei na Mankato State University, que hoje virou Minnesota State University.
Escrito por Índigo às 11h39
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Para a galera do Lourenço Castanho
Caros leitores:
Tenho recebido seus emails sobre o trabalho de escola que vocês precisam fazer a meu respeito. Bem, vamos lá. Vou facilitar a vida de vocês. Posto aqui uma breve biografia. É isso que vocês precisam, não é? Fico feliz de saber que vocês curtiram o “Perdendo Perninhas”. Pra mim, é o que importa. Essa parte de fazer pesquisa sobre o autor é meio mala. E Deus me livre de estragar o fim de semana de vocês por ser objeto de pesquisa. Ok, vamos então ao que interessa. Minha biografia:
Índigo nasceu em Campinas, no ano de 1971, com o nome de Ana Cristina Araújo Ayer de Oliveira. Desde que começou a se dedicar às letras ganhou o nome de Índigo. Isto aconteceu em 1998, quando publicou seus primeiros contos na internet.
Obras literárias
Um dálmata descontrolado – Hedra (2007)
A maldição da moleira –Girafinha (2007)
O livro das cartas encantadas – Brinque Book (2007)
Cobras em compota – MEC (2006)
Perdendo perninhas - Hedra (2006)
Como casar com André Martins - Girafinha - (2006)
O segredo do vô Juvêncio – Escala Educacional (2006)
Belo Horizonte e a Invasão dos Zurungh - Xilih - Alaúde (2005)
Festa da mexerica - Hedra (2003)
Saga animal - Hedra (2001)
PARTICIPAÇÃO EM COLETÂNEAS "25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira" - Record (2004) "Os cem menores contos do século" - Ateliê Editorial (2004)
"Fábulas da mercearia" - Ciência do Acidente (2004)
TRADUÇÕES
“Marieta tem um dilema” – Martine Murray - Girafinha (previsto para agosto de 2008)
“Marieta, a imbatível” – Martine Murray - Girafinha (previsto para março de 2008)
“Família Pântano: pré-escola” – Colin Thompson” – Brinque Book (2007)
"O último mágico de Bolabambolim" - Elsa Bornemann - Girafinha (2006)
ADAPTAÇÕES DE CLÁSSICOS
“Memórias de um sargento de milícias” – adaptação para HQ - Escala Educacional
“Volta ao mundo em 80 dias” - Escala Educacional
“As viagens de Gulliver” - Escala Educacional
“Alice no país das maravilhas” - Escala Educacional
“Os doze trabalhos de Hércules” - Escala Educacional
“Viagem ao centro da terra” - Escala Educacional
“Rei Artur” - Escala Educacional
Mais algumas informações, para quem quiser:
No ano de 2001 eu decidi que não queria mais trabalhar em agência de publicidade. Optei pela carreira literária. O único problema é que eu ainda não tinha livro publicado. Foi nessas circunstâncias que criei a profissão de "Escritora Particular".
Na ocasião fiz 500 cartazes lambe-lambe anunciando meus serviços literários. Numa certa madrugada, colei-os em ponto estratégicos de São Paulo. O texto dizia: "Contrate uma Escritora/ Originalidade Garantida". Trazia também meu email e o endereço do meu site.
Deu certo. Recebi convites para fazer vinhetas para a MTV, roteiros de animação para Disney/ Cinemágico e curta-metragens; fui parar no sofá do Jô Soares.
Em 2005 comecei a escrever contos para a Folhinha. O público infantil sempre foi o meu favorito.
Em 2006 ganhei meu primeiro prêmio literário, o “Literatura para Todos”, do Ministério da Educação. A tiragem do “Cobras em Compota” foi de 300 mil exemplares. Ele se encontra em todas as bibliotecas das escolas da rede pública.
Hoje tenho dez livros publicados. Na rede, mantenho este blog que você está lendo. Aliás, há dez anos que escrevo diariamente na internet. Alguns desses blogs/ sites até já morreram.
Fora isso, tenho uma quedinha por teatro, assistir e fazer. Adoro bichos e mais ainda de criar personagens-bicho. Não sou casada. Vivo com minha gata, Valentina. Tenho um namorado que lê meu blog diariamente e depois faz comentários que me deixam estatelada. Ah, sim, estudei no Dom Barreto, em Campinas, uma escola de freiras. Quando lembro de como era, fico em dúvida se foi mesmo nessa vida. Agora ela me parece tão medieval...
Escrito por Índigo às 10h42
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Apanhando e vivendo
Se tem uma coisa que o Kung Fu tem me ensinado, é a capacidade de apanhar. Não um dia, mas dia após dia. E nem é apanhar fisicamente (também é), mas vai além. Agora estou entrando nas surras morais. De uma hora para outra tudo ficou difícil. Esse é o ponto em que a gente cai fora, chega à conclusão que... “não é pra mim”. É o terceiro capítulo do livro. A gente escreve um primeiro capítulo genial, um segundo que vai no embalo, e no terceiro acaba o fôlego. Mas, sei lá, eu já escrevi nove livros. Então fico no Kung Fu, porque se eu tenho uma qualidade, é ser obsessiva. Estou aprendendo a não me incomodar com as surras. Ontem um editor comentou que tem certas palavras que eu uso... Ele acha que eu podia rever certas palavras.
- Mas você está pedindo para eu mudar meu estilo!
- Não estou pedindo nada disso.
Fiquei irritada e não quis saber. Desliguei o telefone. Quarenta minutos depois estava mandando email para ele, pedindo para ele falar um pouco mais sobre as tais palavras. Depois fui para o treino, onde a surra continuou. E assim vai... Mais um pouco e eu reabro os comentários desse blog. Brincadeirinha...
Escrito por Índigo às 11h23
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Algum dia, quem sabe...
Três coisas que eu gostaria de conseguir escrever algum dia na minha vida.
1 – Um livro infantil. Infantil de verdade. Para criancinhas minúsculas.
2 – Descrever um americano.
3 – Uma história de amor. Amor sério.
Escrito por Índigo às 10h39
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A possibilidade de cair
Ontem no Kung Fu um faixa preta quis saber como eu caí da escada.
- Eu estava descendo, tropecei e caí.
Não houve resposta. Ele continuou com as mãos cruzadas para trás, coluna reta, olhar perdido no horizonte, pernas afastadas. Eu não queria prolongar a conversa. Já bastava ter de ficar ali parada, sem poder fazer os rolamentos por causa da dor do tombo. Então ele inclinou levemente a cabeça, num movimento mínimo, reflexo de uma lembrança do tempo em que ele era um ser humano como outro qualquer, que cai, do tempo em que a gravidade ainda exercia poder sobre ele.
Esboçou um sorrisinho e emitiu os comandos para a próxima seqüência de movimentos.
Escrito por Índigo às 10h34
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Sou escritora, fazer o que...
Seria legal conseguir escrever verdades e apenas verdades no meu blog. Como na época em que eu fazia relatos do meu dia. Seco, sem ficção. Pelo menos eu não me metia em tanta confusão. As pessoas sabiam o que era verdade, o que era ficção. Minha mãe não ficaria tão preocupada com a escada do meu prédio, e eu não levaria tantas broncas da Ivana. Mas, bem, não consigo. Sou escritora e quando vejo, estou inventando. É mais forte que eu. Não lamento.
Escrito por Índigo às 11h14
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Diálogo 9: Expo da Marilyn em meio ao carnaval
- O quê?! Dez reais pra ver a Marilyn bêbada e pelada?
- Tô fora! Vou pra casa e ligo a televisão.
Escrito por Índigo às 10h12
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Colapso
Ontem caí de novo na escada. O roxo do domingo já estava ficando esverdeado, entrando na fase amarela, quase sarando, quando aconteceu novamente. Dessa vez na escada do meu prédio. Só que esse foi bem pior. Nesse achei que podia ter quebrado algum osso, mas tudo bem, me levantei e fui para a rua.
No ponto de ônibus, pensava sozinha: “Meu Deus, como pode, na mesma semana, cair duas vezes da escada?” E não são tombinhos. São tombos espetaculares. Eu chego a rolar vários degraus. Por que isso? Então fui um pouco mais a fundo nos meus pensamentos e me perguntei: “o que é que está mais incomodando na vida ultimamente?”
O título que não encontro. Terminei o livro e não encontro o maldito título. Por falta de título, tenho usado o título temporário de... “Colapso”. Só aí liguei as coisas! Ok, resolvido. Vai ficar com “Colapso” mesmo, antes que a vida me mande um terceiro sinal.
Escrito por Índigo às 15h27
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Editores que lêem
Em todos esses anos de literatura, sempre tive a impressão (com raríssimas exceções), de que meus livros eram publicados sem que o editor tivesse lido. Eu entregava o original, eles me mandavam o contrato e muitos meses depois o livro saía.
Claro que eu achava super esquisito, mas rapidamente me acostumei. Agora os editores deram para ler meus livros antes de publicá-los!
Pior, começaram a me mandar relatórios dizendo o que eles pensam do meu texto.
Meus colegas escritores dizem que é normal, que eles lêem mesmo. Estou achando a coisa toda um desaforo. Jamais imaginei que isso fosse acontecer comigo! Coisa mais desagradável...
Escrito por Índigo às 12h33
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