Relatos: Dia 33

 

11:00 da manhã: Terminei a organização do livro de crônicas. Agora ele vai descansar um pouquinho.

 

12:30: Cozinhando um almoço vegetariano que deu certo. Claro que eu não ofereceria aquilo para ninguém, porque faltou uma carninha de soja, mas pra mim estava mais que bom.

 

2:00 da tarde: Leitura do romance que passou os últimos quatro dias descansando. Este, ainda sem título. Lamentável terminar um livro sem ter encontrado o título.

 

6:00 da tarde: Treino de Kung Fu, onde fiquei pendurada numa barra, feito um saco de batata. A ideia era que eu fizesse flexões de braço pendurada. Claro que não rolou. Então um faixa marrom foi lá e me empurrava. Humilhante…

Ah, sim, fora isso, Kill Bell meteu uma porrada no meu maxilar. Em seguida começou a pedir desculpas, me abraçando e choramingando, enquanto o faixa marrom, incrédulo com a cena, gritava:

-        Continua! Continua lutando!

 

Noite a dentro: Com o rosto parcialmente imobilizado, termino a leitura do romance e encontro o título! Perde-se aqui, ganha-se ali…



Escrito por Índigo às 08h49
[   ]


Relatos: Dia 32

 

9:00 da manhã: Trabalhando nas crônicas.

 

Tarde: Escrevo a sinopse de uma historinha infantil. Esse negócio de escrever sinopse para editor aprovar é algo recente na minha vida. Até um tempo atrás, seria inimaginável. Eu tinha calafrios só de ouvir a palavra sinopse. Acreditava que minha criação acontecia conforme eu escrevia. Mas a vida quis que eu encarasse a sinopse. Agora sou uma defensora de sinopses. Ajuda muitíssimo. Por dois motivos. Primeiro, porque a trama fica muito mais rica. Segundo, porque resolvida a trama, consigo dar muito mais atenção à linguagem.

 

Fim de tarde: Treinando para meu exame de faixa. O mestre soltou um “olhem só essas meninas!”, referindo-se a Bebel (mais conhecida como Kill Bel) e eu. Hei!

 

Noite: Numa palestra sobre literatura com Ivan Ângelo, Ivana Arruda Leite e Marçal Aquino. Pena que Ivana falou tão pouco.

 

Fim de noite: Ao chegar em casa recebo email de uma estudante de jornalismo com uma pergunta que me deixa completamente irritada. De tão irritada, começo a me perguntar: por que estou irritada com a coitada? Então começo a ler Mafalda e tchan, percebo o que tenho que dizer sobre o assunto. A pergunta: como cartunistas retratam as mulheres em suas obras?



Escrito por Índigo às 08h24
[   ]


Relatos: Dia 31


10:30 – Revisando crônicas.

2:00 da tarde – No MASP, visitando a exposição Da Bauhaus. Arte contemporânea. Cem trabalhos. Gostei de dois. O primeiro, um quadro branco, redondo, com bolas pretas. Só que, tchan-nan, as bolas se mexem! O segundo, uma série de mini-contos a respeito de dois vizinhos. Ou seja, no primeiro eu gosto da tecnologia. No segundo, dos textos. Acho que isso já diz bastante sobre minha relação com arte contemporânea.

8 da noite – Lendo, pensando na vida, lendo, sonhando acordada.

10:30 da noite – Encontro o título para meu livro de crônicas! Plim!



Escrito por Índigo às 08h18
[   ]


Relatos: Dia 30

 

9:00 da manhã: Sigo no último capítulo. Agora a escrita é bem lenta. É um processo de desaceleração. Finais são sempre tão difíceis. Como bem disse Assis Brasil uma vez, não existe final bom. “Tente fazer o menos ruim que você conseguir”. Tô tentando.

 

Começo da tarde: Traduzindo um livrinho infantil que caiu no meu colo de surpresa. E que surpresa agradável, que texto encantador! Traduzindo e dando muita risada. Quando chegar às livrarias, darei nota aqui, com certeza!

 

Meio da tarde: Escrevendo uma crônica. Ou melhor, escrevendo uma crônica a partir de uns embriões que eu tinha guardado.

 

Fim de tarde: Dando uma voltinha pela região da Paulista. Curtindo a segunda surpresa agradável do dia. Pensando com meus botões: “AJA NORMALMENTE”. Sempre um bom conselho, por sinal.



Escrito por Índigo às 08h37
[   ]


Relatos: Dia 29

 

9 da manhã: Manhã perfeita para escrever, frio, chovendo e com uma gata gorda dormindo do meu colo.

 

11:30 da manhã: Recebo um livro rejeitado do Will Self, que terei enorme prazer em ler, assim que eu acabar com George Orwell, sendo que antes dele veio Melvin Burgess. Três histórias que se passam em Londres. Meu critério ultimamente tem sido livros que se passam na cidade tal. Antes li vários que aconteciam em Paris. É o critério geográfico de leitura.

 

1 da tarde: Uma pequena soneca depois do almoço. A chuva aumenta. Acordo e volto a escrever. Alcanço o último capítulo e paro. Deixo para escrever os últimos parágrafos amanhã.

 

No Kung Fu: Meu nome apareceu no mural de avisos. Fui escalada para o próximo exame de faixa. Ou seja, terei um mês de treinos intensos pela frente. No de hoje, pela primeira vez tive a nítida sensação que ia morrer com o estômago perfurado. Ah, sim, uma frase do professor, digna de nota: “Repare como a cabeça humana se parece com uma bola.” A coisa começa a ficar ignorante.

 

Noite: Retomo a leitura, dessa vez do meio para o fim do livro, a fim de sentir o “ritmo de conclusão”.

 


A mesa de trabalho do Will Self, uma pessoinha obsessiva e completamente neurótica



Escrito por Índigo às 08h33
[   ]


Relatos: Dia 28

8 da manhã: Relendo e reescrevendo.

 

A tarde toda: Ainda no livro porque quando se trata de ritmo, não dá pra parar. Breve pausa para almoço e retomo o trabalho. Quanto mais leio esse livro, mais gosto dele. Uma das personagens é completamente asquerosa, detestável, mesquinha e insensível. Retiro o que disse sobre novelas da Globo. Talvez escrever uma novelinha das oito não seja tão horrível assim.

 

Noite: Escrevendo no meu diário de verdade, aquele mesmo que comecei com 11 anos de idade e continuo... O fato de manter esse registro aqui permite que eu deixe de escrever uma série de coisas lá. Agora aquele ficou para emoções, sentimentos e devaneios, sem nem precisar escrever o que estou fazendo da vida no dia tal. Bom, muito bom… No futuro, quando eu esclerosar, só terei de bater esses dados com os do caderno. Acho que vai dar certo.



Escrito por Índigo às 09h11
[   ]


Relatos: Dia 27

 

9:30 da manhã: Escrevendo no Jarte. Abandonei o Word de vez. Quer dizer, Word apenas para pequenos textos. O Jarte não permite que eu tecle na minha velocidade normal. Bem; permitir, ele permite, só que as letrinhas não aparecem na tela em tempo real. Passo a teclar mais devagar para o coitado do Jarte. No entanto, nessas de teclar mais devagar, pondero melhor as palavras. So, dear Bill Gates, in case you are reading my blog today, you may as well know that because I gave up on your Microsoft Word I will probably become a better writer. Thank you so much.

 

Tarde: Reescrevendo trechos problemáticos do livro.

 

7:00 da noite: Kung Fu. Depois de passar a vida toda boiando e engolindo água na confusão que é o Universo Feminino, caio no Território Masculino, onde as coisas são exatas, claras e honestas. Ainda bem que tenho esse blog para escrever um pouquinho por dia. Maravilhada como estou com o Kung Fu, não consigo ainda escrever a respeito. Só digo o seguinte. É quase como mudar de sexo sem as bombas. Uma mudança de sexo mental. Assim que deixo a academia, plim! Volto ao normal. Tra lá lá..



Escrito por Índigo às 09h10
[   ]


Relatos: Dia 26

 

2:00 da tarde: Lendo tudo que escrevi até agora. De nada adianta continuar escrevendo. Levo um susto. O miolo do livro está totalmente truncado.

 

Tarde: Agonia e medo de voltar à leitura e descobrir que nada do que escrevi até agora presta.

 

Fim de tarde, noite a dentro: Do meio para o fim, o livro fica bom. O problema estava apenas no miolo. Faço inúmeras anotações e recupero a fé.



Escrito por Índigo às 10h07
[   ]


Relatos: Dia 25

 

9:00 da manhã: Escrevendo

 

1:00 da tarde: Cozinhando. Tenho cozinhado em casa porque assim não preciso pisar na rua a não ser para ir ao Kung Fu. É por não pisar na rua que estou conseguindo escrever tanto, durante tantas horas. Tenho certeza disso. Se o telefone não tocasse, seria melhor ainda.

 

A tarde toda: Sigo escrevendo até dar a hora de sair chutando.

 

Noite: Tenho uma reunião onde um texto meu é discutido longamente, destrinchado, esmiuçado e interpretado. Me dou conta de que não faço ideia das coisas que escrevo. As interpretações me assustam. Tento não me apegar ao texto que acho que escrevi, mas que agora não sei mais. Saio me sentindo estranha. Eu me estranho.



Escrito por Índigo às 09h25
[   ]


Convite

 

Amanhã, sexta-feira, é a festa de lançamento da antologia 35 Segredos para chegar a lugar nenhum, da qual faço parte. E vocês estão mais que convidados.

 


Eu me lembro do dia que, depois de muitas cervejas, e algumas pinguinhas, Ivana pegou um caderno e começou:

-        Vamos lá, quem a gente vai convidar pra antologia?

Normalmente, no dia seguinte a gente percebe que foi mais uma ideia de fim de noite e pronto, passa. Mas dessa vez a coisa (miraculosamente) foi adiante e o livro está aí, pronto e à venda nas melhores livrarias. Inacreditável.

Venha ver para crer.

Sexta-feira, a partir das 19:30 no Barco Virgílio

Rua Virgílio de Carvalho Pinto 422, em Pinheiros.



Escrito por Índigo às 09h01
[   ]


Relatos: Dia 24

 

9:00 da manhã: Trabalhando no romance.

 

1:00 da tarde: Cozinhando, mas dessa vez não ficou muito bom e eu sei porque. Cozinhava sem prestar muita atenção e quando vi, estava cometendo verdadeiros crimes da culinária. Estava com a cabeça em outro lugar. Na trama do livro. Não é que a comida tenha ficado ruim, mas às vezes acho que vou morrer comendo as coisas que cozinho. Pelo menos eu lavo as verduras direito.

 

3:00 da tarde: Escrevendo novamente.

 

3:30 da tarde: Recebo email da editora acusando o recebimento da tradução que entreguei na sexta-feira. No email veio o valor que vão me pagar. Uma miséria. Não valeu a pena. Eu tinha calculado uma lauda bem mais enxuta que a lauda deles. Ninguém traduz literatura por dinheiro. É porque faz bem pra gente. Que nem xarope. Aliás, na literatura, ninguém faz nada por dinheiro. Se faz, não é literatura.

 

4:00 da tarde: Passou. Voltei a escrever, com dinheiro ou sem.

 

7:30 da noite: Nunca imaginei que fosse ficar tão encantada com o Kung Fu. Durante muito tempo eu passava em frente a essa mesma portinha vermelha onde agora entro todas as noites e pensava: “Meu Deus... Que bando de animais.” E seguia, toda superior. Sim, tem um lado bem animal no Kung Fu. Mas é um animal adestrado.



Escrito por Índigo às 08h52
[   ]


Relatos: Dia 23


10:00 da manhã
: No correio, despachando um livro para um leitor especialíssimo que surgiu aí. Disso não podem reclamar. Eu trato muito bem meus leitores. É sério.

 

11:00 da manhã: Na editora, tentando descobrir quando meu livro vai sair. Recebo uma data, mas não acredito muito. Nem sei por que fui lá. Me arrependo.

 

Meio-dia: No sacolão, comprando frutas e legumes e detergente.

 

2:00 da tarde: Lendo.

 

3:00 da tarde: Finalmente chega o técnico do computador e diz que meu problema é que o computador estava no limite máximo. Ele deleta um monte de arquivos. Faz uma faxininha. Diz também que estou trabalhando com arquivos muito grandes. Por pouco não respondo:

“ É que estou trabalhando num romance realmente bom e profundo”, mas me contenho.

Ele sugere que eu divida meu romance profundo em arquivos. É o que faço. Agora capítulos de 1 a 6 ficam num arquivo, de 7 a 10 em outro. Resolve meu problema, mas não é o ideal. Ai ai... podemos dizer que o word não atende minhas necessidades literárias.

 

7:00 da noite: Totalmente imersa no romance que, de tão profundo até trava o word, perco a hora para o Kung Fu.

 

8:00 da noite: No treino das oito, que é o dos fodões. Pela primeira vez, luto. Quer dizer, simulamos uma luta. Eu e um faixa marrom ponta preta. Ele me ensina a quebrar pescoços, entre outras cositas.



Escrito por Índigo às 09h00
[   ]


Relato fotográfico

Movimentos básicos de Kung-Fu


Atenção, sentido!


Socos


Guardas e esquivas

Como vocês podem ver, meu pequeno alter ego ganhou um uniforme de Kung Fu. Agora vou poder demonstrar alguns movimentos, sempre que tiver.

Aliás, meu alter ego e seu figurino (ganhei vários modelitos) são obra do Ateliê Caixadagua 33, que vale conhecer. Clique aqui.

 



Escrito por Índigo às 08h01
[   ]


Relatos: Dia 22

10:00 da manhã: Escrevendo meu romance no corpo do email. Deu um pau no meu Word. Ele começou a corromper os arquivos. Um horror. E eu com muita vontade de escrever. Então fiz isso. Não é a mesma coisa. O espaçamento é ruim, mas pelo menos deu para continuar trabalhando. Depois eu mandava os emails para meu email particular secreto. Tinha outras coisas que eu precisava fazer no word, mas não tinha mais coragem de abri-lo. Foi horrível.

Meio-dia: Fazendo vasos, reorganizando o jardim.

1:00 da tarde: Percorrendo os mercadinhos da Vila Madalena inteira. Os fabricantes de areia para gato estão com problema de abastecimento. Nenhum mercadinho da Vila tem areia. Tive de sair do bairro, mas encontrei. Aleluia. Tudo em paz no maravilhoso mundinho de Valentina.

3:00 da tarde: Dormindo.

5:00 da tarde: Lendo jornal.

Noite: Lendo "A Flor da Inglaterra", de George Orwell. Fabuloso. Fora que a história se passa em Londres. Boa parte numa livraria de Londres. Nos anos 40... Ai... É lá que eu quero estar.



Escrito por Índigo às 08h32
[   ]


Relatos: Dia 21

 

9:00 da manhã: Terminando a tradução interminável

 

1:00 da tarde: Cozinhando: frango, arroz integral, abobrinha. Sobre o arroz integral, um pouco de queijo branco. O frango vai junto com a abobrinha, com um molho especial que é criação minha mesmo. Ameixa de sobremesa.

 

5:00 da tarde: Na Hora da Razão do Corredor Literário, onde o papo rolou exatamente como era para ser. Conheci um leitor deste blog, em carne e osso. Depois do bate-papo ele se apresentou (coisa rara) e pudemos trocar umas idéias. Eu não mordo.

 

8:00 da noite: Ouvindo Marçal, agradabilíssimo e brilhante

 

2:00 da manhã: Ainda ouvindo Marçal, entre outros, na Mercearia. Agora não tão brilhante.



Escrito por Índigo às 10h35
[   ]


Sobre o evento de hoje e este blog

 

Sobre o bate-papo hoje, no Corredor Literário, descobri o seguinte: é um bate-papo mesmo, super informal e gostoso. Fazemos uma roda de leitores e escritores (no caso Ivana Arruda Leite, Maria José Silveira e eu) e trocamos umas idéias.

Isso será muito bom pelo seguinte. Nesse blog, muitas vezes, como agora, eu tenho a sensação de estar falando com a parede.  O que é até bom, considerando as coisas que escrevo. Mas lá no Corredor vou poder ver uns rostos de verdade. Fora meus coleguinhas de Kung Fu, faz um tempão que não vejo pessoas, converso com elas. Começo a sentir saudades do mundo. Nada contra as pessoas do Kung Fu, que a cada treino ficam mais simpáticas. Tenho colegas (faixa marrom) que fazem vários treinos por dia. Meio que vivem lá. É como um exército para o qual você vai e passa quantas horas quiser. É como um lugar onde você pode se auto-internar. Gosto disso.

 

É hoje.

Invenção e Realidade na Criação Literária

Dia 10 – quarta-feira

Horário: 17h às 18h30

FIESP - Avenida Paulista, 1.313

 

PS – E tem mais. Depois do nosso bate-papo é o do Marçal Aquino, que é sempre um espetáculo de sabedoria e bom-senso (ele vai gostar de ouvir isso). Então agora você tem dois motivos para ir!



Escrito por Índigo às 08h37
[   ]


Relatos: Dia 19

 

1 da manhã: Desperto de um pesadelo tenebroso do qual não conseguia sair. Apesar de saber que estava sonhando, não conseguia sair do sonho. Depois que acordo, demoro alguns instantes para recuperar a consciência de quem sou eu.

 

9:00 da manhã: Escrevendo. Cheguei em mais um momento difícil da história.

 

1:30 da tarde: Almoçando com uma amiga, contando peripécias do fim de semana.

 

3:00 da tarde: Revisando a tradução. Não agüento mais essa tradução.

 

4:00 da tarde: Depois de um ano, recebo o telefonema de uma editora e quase caio dura. O tempo dos editores é como o tempo dos tarólogos.  Não tem nada a ver com o ritmo da vida material.

 

Noite: Kung Fu começa a ficar fácil. Uma hora de treino é pouco pra mim. HEI!



Escrito por Índigo às 08h59
[   ]


Convite

 

Nesta quarta-feira, como parte do Corredor Literário, vai acontecer um bate-papo entre: Ivana Arruda Leite, Maria José Silveira e eu. Vamos discutir realidade x imaginação na criação literária.

Bem, esse é o plano original. Mas podemos falar sobre qualquer outra coisa também.

Vejo vocês lá!

 

Corredor Literário
Invenção e Realidade na Criação Literária

Dia 10 – quarta-feira

Horário: 17h às 18h30

FIESP - Avenida Paulista, 1.313



Escrito por Índigo às 09h51
[   ]


Relatos: Dia 18

 

10: 00 da manhã: Estou no ônibus, na janelinha, viajando pelo interior do estado. Plantações de cana passam por mim.

 

2:00 da tarde: Estou no campus da UFSCAR, que é lindo e enorme. Era uma antiga fazenda. Ainda tem jeitão de fazenda, com bosques, bambuzal, gatos dormindo ao sol. Saudades desse tempo.

 

4:00 da tarde: Estou me apresentando para uma turma de estudantes de letras, contando minha trajetória nas letras. A cada palavra seus olhos arregalam mais e mais. É uma trajetória estapafúrdia. Eles parecem gostar.

 

Noite: Os professores me levam para jantar num restaurante árabe. Discute-se os dilemas do lingüista. Hã? 



Escrito por Índigo às 09h50
[   ]


Relatos: Dia 17

 

9:00 da manhã: O de sempre.

 

Meio-dia: Ivana convida um grupo de amigas para jantar na casa dela. Aceito na hora, pois se tem uma coisa que Ivana sabe fazer, além de escrever, é cozinhar.

 

1:30 da tarde: Ivana nos desconvida para jantar porque percebeu que a comida não vai dar.

 

3:00 da tarde: Estou entrando na manicure quando percebo uma movimentação no pet-shop no outro lado da rua. Mais de vinte cachorros estão parados na calçada. É uma missa de cachorros. Há um altar e imagens de São Francisco. O padre faz cruzes nas testas dos cachorros. Noventa por cento deles são poodles brancos. Noto que não tem um único gato no meio. Do salão de beleza as freguesas se contorcem em seus lugares para acompanhar a missa. Todas acham a iniciativa muito legalzinha. Claro que acham. São três horas da tarde e estamos fazendo as unhas. Os poodles recebem suas bênçãos. Fica tudo elas por elas.

 

10 da noite: Arrumando a mala e ainda falando sozinha. Amigas ligam da Mercearia dizendo para eu ir para lá, tomar umas cervejinhas. Balanço, mas resolvo ser responsável e não vou. Muito bem!



Escrito por Índigo às 06h29
[   ]


Convite

 

Nesse sábado, lá no RISCO, a ilustradora Mariana Zanetti vai expor algumas de suas belíssimas ilustrações.

Essas ilustrações, por sinal, pertencem ao “Casal Verde”, um livro que fizemos juntas e que algum dia será publicado. Tudo isso faz parte de um evento infantil, então levem a criançada que eles vão gostar.

 


O livro é lindo de morrer

 

RISCO fica na Galeria Metrópole.

Av. São Luiz – 187 – loja 4, passeio paris

 

Sábado, 6 de outubro – 11h às 16h



Escrito por Índigo às 13h07
[   ]


Relatos: Dia 16

 

9:00 da manhã: Voltei à escrita do livro, abastecida de novas informações.

 

1:00 da tarde: Um almoço muito leve porque de nada adianta ficar me matando no Kung Fu para depois bater um prato de arroz com feijão no almoço.

 

2:00 da tarde: Terminando a tradução do australiano, que fica mais absurdo a cada página. Ele me lembra de coisas que um dia escrevi e hoje não tenho mais coragem.

 

4:00 da tarde: Sentada na sala da minha casa, falando sozinha enquanto Valentina me ignora. À minha frente, onde estão as estantes de livros, vejo uma platéia de estudantes de letras, pois o que estou tagarelando sozinha é o ensaio de uma palestra que vou dar nesta sexta-feira, na Universidade Federal de São Carlos, durante a 11 Jornada das Letras UFSCAR.

 

6:00 da tarde: Termino a tradução. Aleluia!

 

8:00 da noite: Primeira vez que faço 3 treinos consecutivos de Kung Fu (segunda, terça e quarta). Eu não sou a mesma pessoa. Hei!



Escrito por Índigo às 09h21
[   ]


Relatos: Dia 15

 

9:00 da manhã:  Devido à necessidade de pesquisa, não estou escrevendo mais, e sim terminando a tradução do australiano careca.

 

1 da tarde: Almoçando com dois autodenominados neo-renascentistas. Neo-renascentistas é uma nova raça de profissionais com múltiplos talentos e que fazem várias coisas. Bonito nome.

 

3 da tarde: Fazendo pesquisa. Minha pesquisa consiste em ir até o habitat natural da minha personagem e ficar fazendo as coisas que ela faz. Também devo ficar de olho para ver se ela aparece. Quando isso acontece, daí começa a parte emocionante. Passo a seguir a personagem, tendo como meta ouvi-la conversar com alguém. Até hoje nunca me prenderam por isso.

 

8 da noite: Meus chutes voltaram! Oh, yes. Hoje no treino apareceu uma senhorinha gorducha de 60 anos (ou mais), que vestiu o uniforme e saiu chutando. Ao final da aula ela fazia uma seqüência de movimentos para hipnotizar dragões. Então é isso, amiguinhos: você nunca sabe quem é um lutador de Kung Fu. Nós usamos uma série de disfarces, para sua própria segurança, inclusive.



Escrito por Índigo às 09h48
[   ]


Relatos: Dia 14

 

10 da manhã: Escrevendo, escrevendo até que chego num ponto em que não é mais possível continuar. Preciso fazer pesquisa. Odeio fazer pesquisa. Paro de escrever e começo a pensar em como fazer a maldita pesquisa.

 

Meio-dia: Preciso fazer uma série de coisas burocráticas, mas não faço nenhuma. Fico entre fazer isso e aquilo e não faço nada. Tenho uma crise de absoluta falta de foco e fico totalmente perdida, feito um frango degolado, perdendo tempo.

 

3 da tarde: Estou traduzindo, depois de não ter conseguido fazer nada, nada, das coisas burocráticas.

 

6 da tarde: Escrevo um pequeno conto que salva meu dia.

 

8 da noite: No Kung Fu meus chutes perderam a força. Eu não sei o que estou fazendo errado. Tem um faixa verde que gosta de comentar meus bons chutes com um discreto aceno de cabeça. De vinte, ele só pôde comentar um, e mesmo assim acho que por camaradagem.



Escrito por Índigo às 08h27
[   ]


Relatos: Dia 13

10:00 da manhã: Estou em Holambra, dando de comer a uma simpática família de gansos. Velhos conhecidos.

 

13:30: Voltando para São Paulo.

 

15:30: No lançamento de Philippe Barcinski, que faz sua estréia na literatura infantil com “O Rapto do Professor de Matemática”, uma história para quem adora e odeia matemática, e que me fez pensar em como meus professores eram pouco criativos. Se eu tivesse lido “O Rapto...” naquela época, acho que, talvez, tivesse me interessado mais. Um pequeno trecho: “Para ele, que gostava muito de matemática, resolver problemas era como uma dança, com os números indo para lá e para cá do igual”.

 

Noite: Lendo quadrinhos da Aline Kominsky Crumb, que vem interferindo, sem dó, no meu jeito de escrever.



Escrito por Índigo às 11h06
[   ]