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Bbbbooooooooo!!! Um fantasma!
Sim, agora sou escritora fantasma. E, sim, estou curtindo a história. Foi uma experiência maluca e divertidíssima escrever "Depois do Escorpião", entrar num mundo de fofocas, meio auto-ajuda, meio biografia, meio literatura erótica. Criei um tipo de texto radicalmente diferente de tudo o que escrevi até hoje e assino embaixo. Faço literatura, faço publicidade e agora faço obras como esta: "Depois do Escorpião". O lançamento será hoje. Quem autografa é a Samantha. Eu estarei por lá como fantasminha, bebericando um vinho e vendo minha obra, com minha "personagem" de carne e osso. Estão todos convidados!
Lançamento: Depois do Escorpião Hoje: 31 de agosto Escrito por Índigo às 11h20 [ ]
Como assistir ao Superpop hoje
Algumas instruções importantes: 1 - Eu não vou aparecer em corpo no programa. Quer dizer, eu estarei presente através da minha obra. 2 - Que obra? Uma nova obra feita em parceira. Eu sou texto, assim como sou texto aqui no blog. Quem aparecerá no Superpop é a pessoa. Eu sou o texto de uma nova pessoa. Estou me sentindo o próprio Espírito Santo escrevendo essas coisas.
Ah, sobre horário: 22:15 - na Redetv. Escrito por Índigo às 10h39 [ ]
O fim da fábula
A verdade é que eu também não agüento mais esta maldita fábula. Ela não funciona em blog. É longa demais, rocambolesca demais, estranha. Minha vontade é parar por aqui, o que é sempre muito chique: uma fábula inacabada. Mas ao mesmo tempo ficaria um sentimento de dívida. E, pensando bem, eu poderia publicar a coisa toda, pois já está escrita mesmo. Tenho uma proposta. Quem quiser ler até o fim, deixe o email aqui (nos comentários) que eu mando por email. Assim poupo os leitores de terem de agüentar mais sei lá quantos dias dessa embromação. Além do mais... amanhã é o grande dia. Amanhã revelarei meu segredo de agosto, no qual venho trabalhando há cinco meses. Será em rede nacional, no Superpop, sim, o da Luciana Gimenez, o maior telebarraco da tv brasileira. Acho bom mesmo eu começar a me desfazer desse climinha de fábulas, pois a partir de amanhã será realidade nua e crua. Ai....
Escrito por Índigo às 09h13 [ ]
La belle Emanuelle
Do ponto em que Blanche encontra uma gambá. - Bon jour, Mademmoiselle. Excuse moi. Est-ce que tu peux m'expliquer l'amour? A gambá mediu Blanche dos pés à cabeça e achou a pergunta surreal. - L'amour? A gambá normalmente teria dado uma resposta atravessada, mas percebeu que não era gozação. Aquela moça, via-se de longe, não sabia nada sobre amor, enquanto a gambá... A gambá que se chamava Emanuelle, havia vivido amores tórridos e tinhas lembranças de arrepiar. Ela era conhecida em toda a floresta por suas armas de sedução. Não havia esquilo, coelho, tartaruga, raposa, lontra ou mesmo gambá que não houvesse, pelo menos durante uma tarde, se apaixonado por Emanuelle. - Ai.... ai.... - suspirou Emanuelle - L'amour.... Emanuelle se espreguiçou e serviu-se de uma amora. Atirou outra na direção de Blanche, que não aceitou. - Mange, cherrie. C'est necessaire. A gambá achava que era necessário comer amora para falar de amor. Blanche comeu a amora. Agora o amor era como amora, um pouco doce, um pouco amargo. Mas isso não ajudava em nada. Como a mesma coisa podia ser como o sol e como uma amora? O que é que o sol tem a ver com a amora? Mas Emanuelle não entraria nesse tipo de questão. Ela disse que eram muitas suas aventuras amorosas; mas, considerando a ansiedade de Blanche, ela contaria a melhor de todas. continua...
Escrito por Índigo às 10h54 [ ]
Escrito na espinha
E o que estava escrito na minúscula espinha do peixe? "Est-ce que tu peux m'expliquer l'amour?". O peixe não podia responder o que era o amor porque ele não só estava morto, mas digerido também. Caberia a Blanche descobrir sozinha, e foi isso que ela fez. Só havia uma maneira de descobrir: perguntando aos bichinhos da florestas. Blanche limpou seu prato, vestiu uma boina e foi dar uma voltinha. O primeiro animalzinho que ela encontrou foi um esquilo. "Bonjour, Monsieur." Blanche queria que o esquilo explicasse o amor. Ele guardou a noz dentro da árvore e repousou as mãos a barriga. Suspirou fundo e disse: "Oui. Je connais l'amour." O esquilo conhecia o amor. Ele pensou durante um tempo, estalou os dedos e perguntou se Blanche estava pronta para a resposta. Ela respondeu que aquele era o único motivo porque estava parada ali, conversando com ele. O esquilo disse: "L'amour est énergie vital." O esquilo respondeu que sim, que o amor era como o sol e Blanche achou aquilo uma grande besteira. Ela continuou andando e encontrou uma gambá. Perguntou: continua... Escrito por Índigo às 13h38 [ ]
Conforme prometi
Finalmente consegui uma fotinho da Primavera dos Livros, que eu estava devendo Escrito por Índigo às 09h14 [ ]
Intervalo comercial
Outro dia perguntaram aqui quem eu admiro na literatura atual. Bem, vou começar com duas escritoras maravilhosas: Ivana Arruda Leite e Maria José Silveira. E aproveito para divulgar o bate-papo das duas neste sábado, na Rato de Livraria - rua do Paraíso, 790/ 17hs. Elas também vão ler alguns textos. Será um verdadeiro festival de literatura de qualidade. Escrito por Índigo às 19h20 [ ]
Que fim levou o peixe?
... do ponto em que o peixe cuspiu na cara da Blanche Blanche levantou-se e gritou: - Maldit! Je peut manger ta famile avec scama et espinha et vomit tout de volta nesse lago nogentô. Criature ridicule, sans imagination! Idiots! - Maldito! Eu posso comer toda sua família com escama e espinha e vomitar vocês todos de volta nesse lago nojento. Suas criaturas ridículas e sem imaginação! Idiotas! Então Blanche voltou para casa, jantou, dormiu e continuou sua vida. Muito tempo se passou. Blanche cresceu. Agora ela mora só, do outro lado da floresta e come peixe no café da manhã, no almoço e na janta. Peixe é a única coisa que Blanche come. E come com ódio. Nesse dia, ela está comendo uma truta empanada com café quando repara nas minúsculas letras na espinha da truta. Blanche pega sua lupa e lê as seguintes palavras:...
continua Escrito por Índigo às 12h50 [ ]
O Peixe fala
... continuando do ponto em que o peixe pula no colo de Blanche. - Pourquoi? - quis saber Blanche. - Parce que la vie c'est misteriouse. Que para nós significa que a vida é misteriosa e Blanche não podia ficar fantasiando desse jeito, sentada em cima de uma pedra à beira do lago, numa tarde de primavera, olhando os peixes. Ela não podia fazer planos assim, como se a vida fosse uma obra de ficção que se escreve e publica depois. - Mais c'est ma vie! J'ai droit de fantasier! Mas a vida é minha! Eu tenho o direito de fantasiar. Isto, porque os franceses, ao contrário de nós, sempre souberam protestar. E cortaram a cabeça da própria rainha quando ela mandou o povo comer pão, de modo que se um peixe pula no seu colo e diz que você não tem direito de fantasiar sobre sua própria vida, e você é francesa, você vai falar sobre direitos humanos. - Vous êtes arrogante! Mas o peixe replicou que Blanche era arrogante, o que não passa de um estereótipo que nós temos contra os franceses. Então o peixe encheu a boca de saliva, cuspiu na cara de Blanche e voltou para o lago. Tchigum! continua....
Escrito por Índigo às 10h53 [ ]
Click da Primavera
Escrito por Índigo às 16h28 [ ]
A Revanche de Blanche
Era uma vez uma linda moça que vivia às moscas. Ninguém chegava perto dela porque quando criança, por volta dos seis anos de idade, ela sofreu uma maldição. Blanche era seu nome. Um belo dia, Blanche passeava num bosque quando sentou-se à beira de um lago e ficou ali a observar os peixinhos pulando. Eles pulavam assim porque era primavera, e Blanche se deu conta de que tinha toda a vida pela frente, e que a vida é como uma casa. A dela tinha apenas uma porta. Mas com o tempo subiriam as paredes, a lareira com a chaminé, daí seriam colocadas tábuas no chão para depois colocar as janelas, depois vinha o forro, as telhas e por fim a pintura. Mas isso era só a parte de fora. Por dentro tinha de colocar pia e azulejos e trazer os móveis, daí guardar os cobertores nos armários, dobrar os panos de prato e arrumar os talheres na gaveta, mas um peixe pulou no seu colo. - N'est pas possible - disse o peixe. O que, em francês, quer dizer que não é possível. Isto, porque esta história aconteceu em Montpelier. Continua...
Escrito por Índigo às 09h45 [ ]
Histórias da Vovó Índigo
Mesmo que eu não pense nos leitores quando escrevo, penso em vocês quando decido o que postar aqui. Sou como uma vovozinha com um bando de crianças sentadas ao pé da minha cadeira de balanço. Então, vamos lá. Hoje começo uma sessão de fábulas. São fábulas que entraram sem querer no meio de um livro que eu estava escrevendo. Mas elas só atrapalharam a história. Até agora elas estavam mofando no meu computador, e acho que podem nos divertir durante alguns dias. Preparadas, crianças? Escrito por Índigo às 09h43 [ ]
A função dos holofotes
Cá estou de volta à vida normal depois dos holofotes do fim de semana. Eu não enxerguei nada, pois quando digo holofote é literal. Via, quanto muito, a fileira na minha frente, o que é bom, pois se tivesse visto o tanto de gente que foi, talvez não tivesse falado metade do que falei. Depois da palestra uma estudante de não me lembro bem o quê, da USP, veio me fazer uma pergunta. Perguntou se quando eu escrevo, tento estabelecer um diálogo com o leitor, ou se o leitor influencia de alguma maneira aquilo que escrevo. É uma boa pergunta e a resposta é não, de jeito nenhum. Eu ignoro vocês completamente. Toda vez que pensei no leitor, foi horrível. Escrevi coisas ridículas e falsas. Então, mesmo que seja incômodo e pareça que estou falando com um grande vazio, é melhor que joguem uma luz horrorosa que apague tudo em volta. É para meu próprio bem. Escrito por Índigo às 14h49 [ ]
Como foi a Primavera?
Agora não tenho mais voz. Restou um fiozinho só. Acho que pelas cervejas que ando tomando desde sexta-feira. Mas no debate eu estava com voz, e falei o que tinha de falar. Foi assim: Rosana Hermann - parece que o cérebro dela está plugado numa central de informações. Ela emite dados, resultados, teorias, levanta polêmicas. É um espetáculo. Bruna Surfistinha - ficou na dela. Ivana Arruda Leite - estava inspirada, nos seus melhores dias. Começou dizendo que tem muito em comum com Bruna Surfistinha e por aí foi... Falou que escritora tem de escrever livros, e que blog é só para manter um canal. E eu não poderia estar mais de acordo. Eu - bem, eu falei sobre meus outros blogs, meus melhores-piores subempregos, dei uma pequena gafe dizendo que a pergunta do Marcelo Duarte tinha sito muito tonta, e coisas assim. Hoje volto lá para aproveitar os descontos especiais de fim de feira, e tomar uns cafézinhos com editores aqui e acolá. PS - Tiraram umas fotos legais da mesa. Vou ver se consigo e coloco aqui, durante a semana. Escrito por Índigo às 11h10 [ ]
A função do amor trivial
Amorzinhos triviais têm inúmeras utilidades. Servem, por exemplo, como disfarce. Enquanto escrevo estas historinhas de amor eu deixo de narrar minha conversa com um analista, onde tento me apresentar como uma pessoa normal e equilibrada, enquanto ele faz suas caras de analista. E quanto mais normal e equilibrada eu tento ser, mais me sinto como uma louca desvairada. Lá pelas tantas ele dá algumas risadinhas e repara nas minhas unhas, que nesse dia estão pintadas de vermelho. Fecho as mãos e passo a falar sem movimentos de braço, o que apenas transfere o excesso para as palavras. Ele me pergunta o que eu acho de fazer terapia e eu respondo que é como viajar para a China. Uma idéia extravagante para o dia em que eu tiver dinheiro para gastar, e nenhum outro compromisso, e já tiver conhecido a Europa inteira, e Cuba. Sei que não me saí nada bem como pessoa normal e equilibrada. Foi bom para eu aprender. Nunca tentei ser normal e equilibrada, então por que tentar logo com um analista?
Este é Loki, o deus escandinavo do fogo. Ele se diverte trazendo caos para situações que ficaram enfadonhas. Escrito por Índigo às 11h21 [ ]
Como encontrar um amor
Sempre fui da opinião que amores caem do céu e que portanto não precisamos mexer um dedo. Não precisamos ir a bares, encontros, festas, viagens. Nada disso é necessário. E para provar minha teoria, eu tinha um exemplo real. Aconteceu em Campinas, bem no bairro onde eu morava. Uma garota muito bonita, de pele branquíssima, parecia uma princesa. Bem, esta garota estava na sua casa quando tocaram a campainha. Ela atende. É um moço pedindo socorro. Ele acabava de sofrer um acidente de carro, ali na rua. Ela acode o moço. Eles se apaixonam e casam. Viu!? Durante anos a história funcionou lindamente como exemplo, até que alguns anos atrás esta mesma garota, agora com 20 e poucos anos, estava andando na Avenida Paulista quando um carrinho de construção caiu na sua cabeça e ela morreu. E com isso só posso concluir que amores caem, sim, do céu, mas outras coisas também.
Escrito por Índigo às 12h57 [ ]
Breve intervalo comercial
Interrompo temporariamente os casos de amor para falar de quatro coisas muito importantes. Primeiro: Debate entre 4 blogueiras feras no teclado: Onde: Primavera dos Livros Segundo: Terceiro: Quarto: Pegue o RER B e desça na estação Cité Université. Vá até a Paris 14 e procure a bibliothèque da Maison du Brésil. Então, dirija-se ao balcão e fale assim: "Bonjour, monsieur. Je voudrais les livres d'une écrivante bresilienne fantastique qui s'appele Índigo." O monsieur responderá: Ele pedirá licença, buscará meus três primeiros livros e voilá! É sério. Eles estão lá. Eu, infelizmente, nunca tive a oportunidade de retirá-los, mas se você tiver, recomendo. Ah, e depois me diga se funcionou. Escrito por Índigo às 12h40 [ ]
Como não terminar um namoro
Entrei no brechó com uma caixa de discos vinil que valiam uma fortuna. O dono arrepiou. Ele era amigo do meu namorado. Perguntou o que eu estava fazendo. - Vim vende-los. Ele ficou entre eufórico e apavorado. Ele desejava aqueles discos, mas não podia encostar neles. Ninguém podia encostar neles. Aquela caixa de discos era conhecida em toda a cidade. Ela fazia a animação das nossas festas. Ali estava a trilha sonora da nossa turma. - Não posso comprá-los - respondeu. Mas queria. E como. - Dê uma olhadinha... - e coloquei os melhores na sua mão. Ele mergulhou na caixa, babando. Enquanto isso, fui dar uma olhadinha nos vestidos, sapatos, bolsas... - E se em vez de comprá-los, fazemos uma troca? Coloquei os vestidos em cima do balcão. Ele topou na hora. Dois dias depois eu estava num chaveiro, tentando explicar porque as chaves do meu carro foram jogadas dentro do rio.
Esta é a Ganga, deusa do Rio Ganges. Diz a lenda que quando ela, em forma de rio, chegou ao mundo, sua correnteza era tão forte que os deuses ficaram receosos de que ela inundaria todo o planeta. Então Shiva mergulhou no rio, a fim de acalmá-lo. Por conta disso Ganga caiu dentro dos cabelos de Shiva, que eram tão embaraçados que ela passou anos lá dentro, tentando encontrar a saída. Escrito por Índigo às 11h28 [ ]
Como terminar namoros
Certa vez, ao terminar com um namorado, peguei um saco de lixo, preto, e fui passeando pela casa, feito um Papai Noel mal-encarado. Tudo o que ele tinha me dado joguei dentro do saco: uma pulseira verde, um ralador de queijo, um escorredor de macarrão, três CDs, alguns livros e, por fim... um fusível, que estava dentro do chuveiro. Eu não sei tirar fusível do chuveiro. Fui até o mercado, comprei um fusível novo e joguei no saco. Depois deixei o saco na portaria do prédio dele. Parecia um corpo, em pedaços. Sem bilhete. Dois dias depois ele deixou uma carta na portaria do meu prédio. Passei um tempão sem escorredor de macarrão, até que comecei a namorar e ganhei outro, assim, sem pedir. É o que tenho até hoje, embora o namorado eu tenha perdido por aí. E para dizer a verdade, eu nunca uso escorredor de macarrão.
Escrito por Índigo às 18h39 [ ]
Receitinhas para os males do coração
Olha, Marco, eu não te conheço, mas fiquei chateada com o que aconteceu com você. Assim como fico chateada com a criançada que está morrendo lá no Líbano. E que também não conheço. Por mais que detritos de mísseis caiam na nossa cabeça, a gente insiste em continuar sentindo coisas. Eu achava que meu coração já estaria estéril, a essa altura do campeonato. Mas, não. Então, vamos às receitinhas para os males do coração. Primeiramente, chore. É bom. Chore dias e dias, uma semana inteira, se conseguir. Chore de perder o fôlego. Se possível, bata com a cabeça na beira do fogão. Mas chore em casa, nada de sair na rua para os outros ficarem com dó inveja. Além do mais, é tão bom aquele gosto de lágrima salgadinha. É um consolo.
Escrito por Índigo às 15h58 [ ]
Princesinhas
Respondendo outra pergunta: o que estou lendo? Contos Indianos. Cheguei à literatura indiana por conta do Salman Rushdie, que é meu autor favorito do momento. Leio uma versão do poeta Mallarmé, que fez um trabalho parecido com os Irmãos Grimm. Só que Mallarmé foi pesquisar fábulas lá na Índia. Encontrou, entre inúmeras maravilhas, a história de duas princesinhas com nomes como Flor-de-Lótus e Gota-de-Orvalho. A Flor-de-Lótus, por uma série de razões, tem de viver disfarçada. No começo ela pinta o rosto de carvão e se veste com trapos. Até que um dia ela encontra o cadáver de uma velha, pega um estilete e, com muito cuidado, tira o rosto da velha. Passa a usá-lo como máscara. Assim ela não precisa mais se pintar com carvão. Coisas assim. "Contos Indianos"/ Autor: Mallarmé/ Editora: Hedra
Escrito por Índigo às 15h36 [ ]
E eu com a Flip?
Fui na primeira e na terceira. Esse ano não vou porque achei a programação fraquinha (exceção a Reinaldo Moraes e André Santana) que são geniais. Agora, correndo o risco de parecer uma velha coroca falando, digo o seguinte: a Flip cresceu muito, e muito rápido. Eu me lembro do primeiro ano, quando a compra de livros acontecia na livrariazica da cidade. As palestras eram na Casa de Cultura, e ninguém sabia direito o que estava fazendo ali. Lembro, indo mais longe ainda, quando estava na casa de uns amigos e um falou: "tem uns gringos que vão fazer uma festa literária em Parati. Vamos?" Gringos em Parati. Era isso a Flip, no começo. Agora até a dona da quitanda pergunta se eu vou pra Flip. O mocinho do xerox, minha vizinha, parentes, o jornaleiro. - Ué.. você não foi pra Flip? E aqui estou, com cartuchos recarregados, imprimindo e escrevendo, e tentando me convencer de que, como escritora, é o que eu deveria estar fazendo. Off-Flip... era o que faltava... Escrito por Índigo às 14h46 [ ]
Desconectada
Meu trabalho agora é ler. Fico horas e horas lendo, bem longe do computador, em outras partes da casa. Ler é um desses trabalhos que eu sempre quis ter, assim como roteirista de história em quadrinhos. Recentemente fiz um roteiro de HQ e descobri que não, não é um desses trabalhos que sempre quis ter. Achei chato. Mas ler é melhor do que escrever. Infinitamente melhor. Sei não... mas se continuarem me pagando para que eu leia, acho que nunca mais vou querer saber de escrever.
Escrito por Índigo às 13h58 [ ]
Vida de Frila - parte 3 e última
Então eu mandei alguns emails para jornalistas e publicitários informando que estava lançando meus Serviços Literários. Foi assim que a produção do Jô me encontrou. Fui lá e tive meus 15 minutos de fama. Foi horrível. Vi minha vida passar por mim, como num vídeo-clipe. O público achou tudo muito engraçado. A platéia gargalhava, mas eu queria me enfiar num buraco. Bem... passou. Quando cheguei em casa, naquela noite, havia mais de 700 emails na minha caixa-postal. O que isso rendeu de concreto: uma temporada na MTV, escrevendo vinhetas, alguns frilas ótimos para a Disney, e outros trabalhinhos menos glamurosos. Contando assim, parece um conto de fadas. E foi. Mas com ogros, dragões e sapos no caminho. Açudes e mais açudes de sapos gosmentos.
Escrito por Índigo às 14h28 [ ]
Serviços Literários
Encontrei a tabela de preços que botei na primeira página do meu site, como parte da campanha "Contrate uma escritora"! Eis: ÍNDIGO SERVIÇOS LITERÁRIOS Cartas: Tiras para cartuns: *** ATENÇÃO *** PS - Reparem como meus preços eram amigáveis. Hoje eu daria uma bela inflacionada. Escrito por Índigo às 08h38 [ ]
Vida de frila - parte 2
Ou de como fui parar no sofá do Jô Soares.. Eu estava desesperada atrás de trabalho. Então tive uma idéia: plim! Vou fazer uns cartazes escrito: "Contrate uma escritora", e botar o endereço do meu site. A pessoa entra no site e vê meus serviços literários: roteiros, matérias, contos, crônicas, textos publicitários, discursos, etc... Mandei fazer 500 cartazes do tipo lambe-lambe. Daí abri um guia de ruas de São Paulo e risquei as ruas que me interessavam: região das agências de publicidade, redação de revistas, editoras, Globo, etc. Peguei meu carro e um gravadorzinho. Passei por essas ruas e, onde eu avistava muro de lambe-lambe, dizia: "Faria Lima, esquina com..." Voltei pra casa e dividi a cidade em rota verde, rota azul e rota vermelha. Fiz o traçado, sinalizando os "Pontos de Colagem". Chamei os amigos e os dividi em equipe, verde, azul e vermelha. Numa segunda-feira, à meia-noite, saímos para colar os cartazes. Antes disse tive de fabricar a cola, com água, farinha e soda cáustica. Ah, sim, isso tudo porque existe a máfia do lambe-lambe, que queria cobrar dinheiro para colar os meus cartazes. E como freelancer, eu colo meus próprios cartazes! continua... Escrito por Índigo às 14h39 [ ]
Os leitores que me desculpem
Eu achava que não podia existir prazer maior que receber um elogio sincero de um leitor. Mas existe. Hoje, enquanto eu fazia minha seqüência de halteres, o dono da academia parou na minha frente e ficou olhando. Depois de 15 repetições, disse: - Isso é que é simetria! Fico por aqui. Meus bíceps gritam.
Escrito por Índigo às 19h16 [ ]
Vida de Frila
Estou gostando desse negócio de leitores sugerirem temas para eu escrever. Eu me sinto num programa de auditório. Bem, senhores e senhoras, o tema de hoje é.... A Vida de Frila! A vida de frila, que venho vivendo há alguns anos, é como esse post. Eu recebo tarefas e dou um jeito de realizá-las. Um freelancer deve ter princípios. Eu tenho 3: Primeiro - nunca recusar trabalho Hoje em dia eu vivo bem com meus frilas, mas nem sempre foi assim. No começo eu tinha de sair por aí, batendo de porta em porta, oferecendo meus serviços de escritora. Cheguei a fazer cartazes e pendurar nos muros da cidade. Por conta disso fui parar no Jô Soares. Mas sobre esta aventura, falarei amanhã.
Escrito por Índigo às 16h01 [ ]
Mulher Maravilha
Tive uma amiga que fez quatro festas de casamento. Uma na cidade onde ela morava com o namorado. Uma na cidade dos pais dela, outra na cidade da mãe dele e a quarta na cidade do pai dele. Eu fui na última. Ela participou pouco da festa. Passou a maior parte do tempo vomitando no banheiro, depois saía, dançava um pouco e desmaiava. Era arrastada até um sofázinho. Então pedia champanhe e se arrastava até a pista de dança, dançava por cinco minutos e tinha ataques de tremedeira, desmaiava. No meio de tudo isso ria muito e chorava, ao mesmo tempo. Uma coisa horrorosa. Mas o importante foi que ela conseguiu organizar quatro festas de casamento em 15 dias.
Escrito por Índigo às 15h17 [ ]
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