O ridículo da publicidade

Como eu não tenho televisão, vira e mexe tenho de ir à casa de alguém para assistir não sei o que. Hoje tive de incomodar minha amiga Bebel para assistir um DVD de comerciais.

Bebel na cozinha lavando louça e eu assistindo os comerciais, tomando nota e apertando pause, para voltar e entender melhor.

Bebel estrebuchava de rir.
"A maravilhosa sensação de bem-estar que dura o dia todo"

-
Pára, Bebel. Isso é sério.
E voltava o DVD para escutar mais uma vez.

"A hora do banho é aquele momento em que entramos em contato com nós mesmos, nossos sonhos, nossa sensualidade..."
Bebel já engasgando de gargalhar.

"Fragrâncias que encantam e permeiam a sua vida."
HAHAHAHAHAHAHA!

Sim, é ridículo. Mas aqui estou, escrevendo sobre as fragrâncias que permeiam minha vida, e pagam minhas contas, tentando encontrar a maravilhosa sensação de bem-estar que, pelo jeito, não vai durar o dia todo.



Escrito por Índigo às 15h55
[   ]


Meu processo de escrita

Esses dias um leitor muito querido pediu para eu escrever sobre meu processo de escrita. Bem, a resposta padrão é:

Só escrevo de manhã, entre 9 e 11:30. Não posso ter tirado o pijama ou pentear o cabelo. Depois das 11:30, quando tomo banho e molho os cabelos, não escrevo mais.

Isso é verdade, mas como acontece com todas as verdades, elas vêm em camadas. Se descascarmos este tema um pouco mais, tenho de confessar que boa parte do processo de escrita está no ato de não escrever.

Quanto maiores os períodos improdutivos, melhores os textos que surgirão depois. Outra coisa ótima é o trabalho de tradução. Hoje, por exemplo, estou quebrando a cabeça com uma palavra que uma autora, lá no século 19, botou num texto. Passei o fim de semana inteiro tentando encontrar uma boa tradução. É como uma camisa de força. Depois que eu encontrar a palavra para o texto dela, e puder voltar ao meu, estarei tão feliz, e me sentindo tão livre, que palavras jorrarão, como mousse de cabelo numa noite de balada.



Escrito por Índigo às 17h49
[   ]


Onde está IVETE SANGALO ?

Ontem, durante um encontro de blogueiros, fiquei sabendo que "IVETE SANGALO" foi o nome mais procurado no Google no último mês. Assim, se você quiser que pessoas visitem seu blog, escreva sobre Ivete Sangalo e elas chegarão até você. Eu não sei o que as pessoas tanto querem com a Ivete. Eu não quero nada com ela. Quero que ela tenha vida longa e continue pulando lá nas bandas dela. Ah, e quero, sim, usá-la como minhoca de leitores de blog.

Ontem, durante esse encontro, discutimos também isso: que a coisa mais legal do blog são os comentários dos leitores. Outra coisa que se discutiu é sobre as pessoas que conhecemos por causa do nosso blog. Gostaria de conhecer melhor vocês aí, sim, você que me lê. Tenho a maior curiosidade de saber quem está aí. Quem sabe um dia... A Ivete, quando sobe no palco, vê a cara das pessoas na platéia...



Escrito por Índigo às 15h35
[   ]


De Ziraldo para Bruna Surfistinha

No meu próximo debate estarei ao lado de Bruna Surfistinha. Sai Ziraldo, entra Bruna. Hehehe. Li "O Doce Veneno... " e achei a figura muito intrigante. Escorpiana até os ossos. Poderia ter saído de um HQ do Crepax. Ah, sim. O assunto será "Blog e literatura".

As outras duas comparsas de mesa são Rosana Hermamn e Ivana Arruda Leite. Rosana só conheço via blog e curto demais. Pessoalmente deve ser melhor ainda. Ivana é velha amiga de rodas literárias e agora... tchan nan.... finalista ( e merecedora) do Jabuti, não precisa dizer mais nada.

Enfim, este é o quarteto. Se eu fosse você, já anotava na sua agenda.

Primavera dos Livros
Dia: 19 de agosto - sábado
Horário: 17hs
Local: Centro Cultural São Paulo



Escrito por Índigo às 12h46
[   ]


Novo México

Eu gosto de mudar de país. É emocionante começar tudo do zero. Jogar essa vida no lixo e encontrar tudo novinho. Casa nova, língua nova, amigos novos, trabalho novo, quintal, comida, programa de rádio. Tudo.

Esses dias estava num bar quando me perguntaram se eu queria ir morar no Novo México.

- Novo México?

Achei exótico. Pensei em cascavéis, cactus, mexicanos e nos vestidos da Frida Kahlo.

Pensei no carro conversível que comprarei por cinqüenta dólares, e no pôr do sol, nos coyotes que terei de matarei a tiros, nas barraquinhas dos curandeiros. Acho que me daria bem lá. Foi ótimo pensar em tudo isso porque já matei a vontade, de modo que não... Não vou pra Novo México nenhum.



Escrito por Índigo às 10h57
[   ]


Mais longe

Voltando um pouco mais no tempo encontrei o verdadeiro embrião de toda minha escrita. Eis o que achei.

"1893 - Agôsto: a 21 nascí, numa segunda-feira, às 10hs da noite, na rua... , na cidade de Penêdo, sul to Estado de Alagôas.

Por um equívoco, consta haver eu nascido no dia 24, conforme se acha mencionado nos atos e documentos públicos da minha vida"

Assim começa o diário do meu bisavô, João de Oliveira, diário este que foi mantido até meados da década de 80, quando comecei o meu.



Escrito por Índigo às 15h40
[   ]


Outro achado

Em setembro daquele mesmo ano tive de comprar um novo caderno. Nessa época eu queria ser detetive particular. Mas, ao mesmo tempo, sabia que essa era uma profissão irreal, coisa de desenho animado. Então resolvi ser arqueóloga, como o Indiana Jones.

5 de setembro de 1985

"Diário Novo:

Como você vê, eu tive de comprar um diário mais simples e que durasse mais. As coisas hoje em dia estão muito caras. Nesses últimos dias eu não escrevi porque ainda não tinha o diário.

Aconteceu uma coisa horrível. Sabe, a oitava série teve aula de artes. A professora saiu da classe e deixou 2 potinhos de tinta em cima da sua mesa. Quando ela voltou para a classe, a classe estava toda pintada!

Alguém entrou na classe, pegou os potinhos e jogou por todas as paredes da classe. Foi o maior rebu na escola. Quando eu, a Silvana e o Rodrigo soubemos do caso, nós começamos a pesquisar e descobrimos quem foi. Foi o Aurélio da oitava série. Mais ninguém descobriu. Nós não sabemos o que fazer.

Eu fiz exame de ballet e fui muito bem.

Hoje teve um temporal em Campinas. Começou às 8:00h. O céu ficou preto como de noite. Caiu uma chuva terrível. Eu nunca vi coisa igual.

À tarde eu estava indo para o Inlgês e vi o Marcus jogando bola lá longe. Resolvi não gostar mais dele porque ele é um vagabundo que nem estuda.

PS - Amanhã vou para o Rio.

Bye, Até lá,

Ana

 



Escrito por Índigo às 16h46
[   ]


Querido Diário

Um leitor perguntou como comecei a escrever.

Foi num diário de capa de plástico. Todo fofinho. Comecei porque era moda. Toda menina tinha um desses. Só não sabia que começava ali um registro que mantenho até hoje. Durante anos, sempre que voltava a este primeiro registro, achava ridículo. Então parei de ler diários antigos. Ontem à noite achei singelo. Eis:

"5 de janeiro de 1985

Querido Diário

Hoje eu e Marina, minha prima, fomos ao clube de manhã. Lá encontramos a Daniela e a Marcela.

Nadamos, brincamos e nos divertimos. Descobri que a Marcela não é tão chata como eu pensava.

De tarde eu e a Marina fomos ao Shopping. Nós fizemos umas compras e assistimos "Gremlins". Eu achei muito divertido ir ao shopping com a Marina. Às 7:30 nos encontramos com a Flávia e fomos comer hamburguer.

Fui para casa, brinquei de lojinha e dormi.
Boa noite, Ana

PS - Comprei esse diário hoje."



Escrito por Índigo às 10h28
[   ]


Foi ótimo

Quando acabou o debate eu me levantei e, meio cambaleando, fui até a primeira fileira. Com alguma dificuldade ajoelhei e alcancei minha cabeça, que estava ali num canto. Dei um jeito de botá-la de volta e fui correndo até o banheiro. Antes, passei no caixa e pedi o grampeador empestado. Remendei como pude e fui para a sessão de autógrafos.

Hoje cedo passei numa farmácia e eles retiraram um pedaço de lança que tinha ficado no meu estômago. Só então eu percebi que meu braço esquerdo estava virada ao contrário. O cotovelo para frente. O farmacêutico fez uns crecks e agora ele está direitinho.

Logo mais darei um pulinho lá na Livraria da Vila para ver se encontraram três dentes incisivos. Tomara que sim. Dói quando bebo água.



Escrito por Índigo às 11h12
[   ]


Hoje é dia de Ziraldo

Minha vontade é de ficar quieta, só ouvindo o que o Ziraldo tem a dizer. Depois ouvir o Pedro Bandeira também, pois este soube ganhar dinheiro com literatura. E lá estarei, entre os dois, provavelmente muito feliz e sem saber o que faço eu ali.

O nome da nossa mesa é "Literatura em 3 tempos", de onde eu concluo que cada um falará do seu tempo, o que vai dar um nó danado, porque o tempo faz com a gente o que ele bem entende. Como já dizia o genial Chapeleiro da Alice: o tempo é sujeito. É o tempo que tem a gente.

Vejo vocês lá!

Local: Livraria da Vila - Fradique Coutinho, 915 - Vl Madalena, São Paulo
Horário: 19h - 21h
Literatura infantil em três tempos/ Ziraldo, Pedro Bandeira e Índigo
Inscrições: 3814-5811 ou pelo site- grátis



Escrito por Índigo às 10h01
[   ]


Conversa bordada

Sábado encontrei-me com uma amiga, a Tati, e saímos andando por aí. Gosto de conversar com esta amiga porque, para ela, nada é absurdo. Nada. E isso é tão tranqüilizador. Tati é artista. Tinha uma época em que a gente bordava. Teve outra época em que pintávamos paredes. Teve época em que ela fazia luminárias e eu só olhava, pois isso não sei fazer.

Conversamos uma conversa de bordado. Existe um traçado e nosso objetivo é acompanhá-lo. Temos uma idéia de como será, mas as cores sempre acabam nos surpreendendo. Também nunca me espantei com as coisas que ela me diz, por mais sobrenaturais que sejam. E elas são sobrenaturais. E assim seguimos no nosso traçado, trocando estórias estrambóticas com a calma de duas bordadeiras.


Uma das muitas criações da Tati Paiva



Escrito por Índigo às 15h56
[   ]


O poder da crítica

Situação: estou num café fazendo minha lição de casa de francês. Chega um amigo e diz que leu "Perdendo Perninhas", e que achou ótimo. Imediatamente abandono a lição de casa.

- Ah é... que bom.

E peço a Deus que ele fale mais.

- Você tem um poder narrativo extraordinário.
- Ah... imagine...

Tenho mesmo. Fale mais!
- Eu tenho algumas perguntas.

Fecho o livro de francês e mando o amigo se sentar. Faço cara de "pois não".

- Você fez pesquisa para esse livro?
Ah! Adoro falar sobre essa parte. Conto tudo, quase perco a aula de francês, e ouvi mais uma avalanche de elogios. Foi delicioso.

Ontem encontrei-o novamente, no meio da rua.
- Continuo pensando sobre seu livro. Aliás, resolvi ler toda sua obra. Mas voltando ao "Perninhas", encontrei alguns pontos problemáticos.

E agora ele fica me perseguindo pelas ruas falando de pontos problemáticas, como se eu tivesse tempo para esse tipo de crítica.



Escrito por Índigo às 14h01
[   ]


Vá ao armazém

Eu acho meio mala ficar divulgando as coisas que falam sobre meu próprio trabalho. Sei lá. Não gosto. Mas hoje vou abrir uma exceção porque é merecido.
É raro, raríssimo, alguém fazer crítica séria sobre literatura infanto-juvenil, nesse país. Mas Glaucia Lewicki faz. Tanto faz que abriu um site só para fazer isso. Antes, fazia por meio de jornais.

O site é o Armazém Literário e a resenha é de "Como Casar com André Martins".

Vale uma visita - http://www.armazemliterario.com.br



Escrito por Índigo às 15h04
[   ]


PCC na esquina de casa

Moro no coração da Vila Madalena. Minha vizinha tem uma horta. Eu tenho um pequeno jardim e acordo com passarinhos. Tudo muito bucólico e bonitinho. E por conta dessa vida tranquilinha, durmo que nem uma pedra. Pode cair o mundo, eu não acordo. Mas nessa madrugada eu acordei com um barulho estranho, muito estranho.

Pulei da cama e pensei: PCC! Associei o barulho a helicópteros voando baixo. Mas como tenho esse sono pesadíssimo, dois segundos depois já estava dormindo, no décimo sono. Sonhei que andava por um castelo, e havia uma onça solta lá dentro, mas isso não vem ao caso.

Hoje cedo descobri que foi, sim, o PCC. Queimaram um ônibus na esquina de casa, no meio da Vila Madalena. E era, sim, um helicóptero. Um dos meus vasinhos de mini-rosas caiu e rachou, pela ventania.
No fim do sonho eu montei uma dessas carrocinhas de milho verde, puxada pela onça do castelo.



Escrito por Índigo às 11h17
[   ]


As pessoas que não falam português

Gosto de terças-feiras porque nesse dia passo a tarde estudando francês. É uma turma pequena e a gente fica discutindo isso e aquilo. Ontem, estava eu na sala de aula, esperando a professora, quando entrou um homem todo energético, falando com a gente.

Nesta escola ensinam vários idiomas exóticos: húngaro, japonês, finlandês, grego. Às vezes chego mais cedo, só para ouvir um pouquinho dos outros idiomas. Gosto de tentar adivinhar que língua estão falando.

Então, enquanto o homem falava e gesticulava, tentei adivinhar. Suas bochechas faziam movimentos maravilhosos. Inflavam ou murchavam de acordo com as palavras. A cada final de frase ele bufava, e de tanto em tanto assobiava feito passarinho. Um negócio fascinante. Sueco, talvez? Coitado, devia estar realmente perdido. Achei por bem informá-lo, em francês, que ele tinha entrado na sala errada.

E foi aí que levei o maior baque da minha vida. Aquele homem era um parisiense, e tudo que ele tinha falado até então era francês!



Escrito por Índigo às 14h17
[   ]


Ziraldo, Pedro Bandeira e Índigo

Terça-feira que vem (18 de julho) começa um evento literário muito bacana. Encontros na Vila, na Livraria da Vila. Serão debates temáticos entre vários escritores.

O primeiro debate será "Literatura infantil em três tempos".
E os escritores serão: Ziraldo, Pedro Bandeira e eu!

Será emocionante debater literatura, ou qualquer coisa, com esses dois grandes nomes da literatura infantil. Vocês estão todos mais do que convidados. Só que atenção, tem que reservar lugar.

Inscrições: 3814-5811 ou pelo site- grátis
Local: Livraria da Vila - Fradique Coutinho, 915 - Vl Madalena, São Paulo
Evento: Encontros na vila
Literatura infantil em três tempos/ Ziraldo, Pedro Bandeira e Índigo
www.livrariadavila.com.br



Escrito por Índigo às 19h44
[   ]


As pessoas que falam alemão fluente

Tenho convivido com uma dessas pessoas que, se estivéssemos na escola, seria considerado aluno prodígio. Eu estaria na primeira série e ele, depois de três meses de alfabetização, pularia para a oitava.

Achei-o simpático, quando o conheci. Depois descobri que falava alemão fluente, inclusive dava aulas particulares. Fiquei impressionada. Mas, tudo bem. Algumas pessoas conseguem falar alemão. Ele é uma. Mas, não. Ele não é professor de alemão. Dá aulas por prazer. É astrônomo. E pinta, com a mão esquerda. Tudo bem. Eu também posso pintar com a minha mão esquerda. Fui ver as pinturas da mão esquerda dele. Pinturas a óleo, com expressões, olhos e bocas proporcionais. Longe das coisas que a minha mão esquerda pintaria. Então quando descobri - na mesma tarde - que ele toca violino, constrói computadores e doma cavalos, fiz cara de pouco caso.

Hoje vou encontrá-lo, e a menos que descubra um grave distúrbio emocional, TOC ou uma gagueira repentina, vou começar a odiá-lo.



Escrito por Índigo às 10h42
[   ]


O que é o nariz

Dizer que todas as doenças têm origem na cabeça é um pouco moda. Mas também é um pouco verdade. Rinite, por exemplo. Já ouvi as explicações mais esotéricas a respeito: que para tratar rinite é preciso tratar inseguranças, que rinite na verdade é timidez, e por aí vai.

Mas a melhor explicação eu encontrei na literatura. Lendo a respeito da história da Índia, encontrei uma definição do que é o nariz.

O nariz é um canal que permite que elementos do mundo externo entrem no nosso mundo interno.

Pronto! A partir disso é só reparar nas circunstâncias que fazem o nariz escorrer, coçar, espirrar. Se estou em casa, lendo um livro, meu nariz fica tranqüilex. Mas ai de mim se tenho uma reunião de negócios. Ele faz um festival.



Escrito por Índigo às 15h19
[   ]


As pessoas da televisão

Ontem tive uma reunião com um desses gênios do mal da televisão brasileira.

Eu os admiro, assim como admiro jaguatiricas, quando vou ao zoológico. São magníficas, perspicazes, rápidas e me dão medo. E penso que, para ele, eu devo ser um panda. Sei que ele também admira meu trabalho, pelo menos foi o que falou. Mas acho que esperava que eu mostrasse unhas, rugisse, batesse com as patas no peito, alguma coisa. Não consigo. Quanto muito, como um bambu. Depois cuspo.

O jaguatirica elogiava meu texto, dizia isso e aquilo. Eu dava uns sorrisinhos e respondia:

- Hrugii lisdim rimicki - que no idioma das jaguatiricas não tem tradução.

Ele foi embora um pouco decepcionado. Acreditava que eu fosse mais interessante pessoalmente, que soubesse falar coisa com coisa, pelo menos. Ou que parasse de mascar bambu.

PS - Não, eu não vou começar a escrever para televisão. A coisa é outra... Aguardem, em agosto!



Escrito por Índigo às 17h21
[   ]


Duas semanas de malhação

Agora, quando escrevo, sinto meus bíceps e, se aperto o "Shift", até os tríceps.
Isso há de melhorar minha escrita!



Escrito por Índigo às 14h46
[   ]


Notas de rodapé

O livro que estou terminando agora terá notas de rodapé, e isso é uma das coisas mais chiques que pode haver num livro! Hehehe. Notas de rodapé. Por essa eu não esperava.

Tenho alguns fetiches quanto a livros. São eles:

1 - Capa dura

2 - Minha foto em preto e branco, na quarta capa, tirada em estúdio. Nessa foto eu olho para a lente, encarando o leitor. Estarei com uma blusa preta, de gola alta, que nem a Patrícia Melo. E já que terei a gola, também terei um marido maestro de orquestra.

3 - O logotipo da Companhia das Letras

4 - Também na quarta capa, um adjetivo do tipo "Esplêndido!" - Folha de S. Paulo

5- Agradecimentos finais.



Escrito por Índigo às 15h10
[   ]


Final feliz

Foi, sem dúvida, o melhor churrasco que já comi na vida.

- É carne do quê?
- Gostou? - respondeu o serial.
- Adorei. Então. É carne do quê? - insisti.
- É minha especialidade.
- Carne do quê? - eu precisava saber.
- Boi - mugiu meu artista mexicano, emburrado num canto do quintal.

O serial foi pegar mais cerveja e eu não consegui perguntar, pela quarta vez, que carne era aquela que eu comia. Fui ajudá-lo com as cervejas. Seu freezer era enorme. Debrucei sobre o freezer e sorri para ele.

O serial perguntou se eu queria uma rodela de limão na minha cerveja. Respondi que não queria rodela nenhuma. E me debrucei mais um pouco.

Então ele fez um sinal que era para eu passar na sua frente. Voltaríamos para o quintal. Tonto!

Eu disse que precisava ir ao banheiro. Ele voltou para o quintal. Esperei ele sair e abri o freezer. Tinha de boi e de frango. Tudo com embalagem de supermercado. É isso. Saí inteira e aqui estou, escrevendo, com meus 10 dedinhos, intactos.



Escrito por Índigo às 16h15
[   ]


Por trás dos serial killers

Hoje, organizando meu dia, eu me dei conta de uma coisa muito grave. Tenho quatro livros escritos pela metade. E não são contos. São cinco romances! Escrevo até certo ponto, coisas acontecem e eu paro. Nunca fui de fazer isso. Sempre comecei meus livros e fui até o fim. Quatro livros! Parados!

Atribuo isto a uma única coisa: a recente manifestação do ascendente em aquário.

E daí eu olho para este blog. O que é que eu estou fazendo, escrevendo histórias de serial killers, se eu nem sei onde isso vai parar? Este era para ser um diário real. Então, qual o sentido dos últimos posts? Manifestações aquarianas, só pode ser.

Hoje resolvi parar com a bagunça. Não vou começar mais história alguma. Chega de começar histórias. De hoje até o fim do ano eu só termino as coisas que comecei. Preciso aproveitar que ainda tenho um pé em Virgem.

Se Aquário continuar se intrometendo desse jeito, daqui a pouco só vai me restar a poesia.

PS - mas só depois de tomar essa decisão, percebi que passei o dia na capa do UOL, o que rendeu mais de 26 mil visitas. De modo que vocês venceram. Amanhã escreverei o final das minhas peripécias com meus vizinhos seriais.



Escrito por Índigo às 20h24
[   ]


Amores perros

Nunca me interessei por amores simples. Acho sem graça. Para que eu me interesse, tem de ter algum perigo.

- Quieres o no quieres?

Que graça tem um amor comportadinho?

- Quieres?

Que graça tem um amor só para ir ao cinema, sair de sexta-feira, viajar no feriado? Eu não. Amor não pode ser assim. Se é pra quebrar minha rotina, que seja um amor peligroso. Um amor que me faça mal, que me despreze, que não me telefone. Ai, ai... Uma amor que renda alguma emoção mais que amor.

- Tu lo quieres! Pendeja!



Escrito por Índigo às 18h28
[   ]