Sutileza

Serial killers são sutis. Quando acabou o churrasco, ele disse que o próximo seria na casa deles, no fim de semana seguinte. Artistas mexicanos, por sua vez, não são nada sutis. O que morava comigo se ofereceu para levar a carne.

O serial respondeu que não precisava, e deu uma piscadinha pra mim. Claro que não precisava. Nós éramos a carne.

Naquela noite, esse foi o motivo da briga. Valdez me acusou de paranóica, por achar que os vizinhos iam nos comer.

- É óbvio que eles vão nos comer! Você vai ver. Depois não diga que não avisei...

Ele disse que além de preconceituosa, eu era antisocial. A discussão morreu aí.

Passada meia-hora, meu artista mexicano pulou do sofá e apontou o controle remoto para a minha cara:

- Ai pinche madre! Tú lo quieres!


continua...



Escrito por Índigo às 14h50
[   ]


Meus vizinhos serial killers

Eu morava com um artista mexicano, naquela época. Se bem que, pensando friamente, acho que eu era bem mais mexicana do que ele. Quando três serial killers se mudaram para a casa ao lado, ele achou divertido. Decidiu fazer um churrasco de confraternização. Era verão, e como em Minessota o verão dura 6 semanas, tudo era motivo de confraternização. Eu sabia que eles eram serial killers porque uma agente da polícia foi me avisar, a mim e aos outros moradores da rua.

Eles faziam parte de um programa de reintegração à sociedade. Claro que a agente não usou o termo "serial", nem precisava. Fui contra o churrasco, mas fui voto vencido. Então fizemos o maldito churrasco, com carne e tudo, para a vizinhança. Fiz bastante salada para acompanhar.

Ninguém saiu ferido. O serial gordo era uma simpatia. Mas até aí, lendo livros no tema, descobri que eles sempre são muito simpáticos.

Continua...



Escrito por Índigo às 14h21
[   ]


Meus tempos de neve

Quando eu morava em Minnesota, região de milho e serial killers, a temperatura chegava facilmente a 20, 30 abaixo de zero. Eu adorava. Vivia numa casa assombrada, com direito a porão e sótão. Ela era inteira forrada com carpete felpudo. E isso incluía banheiro e cozinha. Eu usava muita pantufa naquela época, e escrevia. Foi lá que comecei a escrever "Perdendo Perninhas", como disse: terra de serial killers.

Chegava a ficar três, quatro dias sem sair de casa. Abastecia no supermercado e pronto, não pisava mais na rua. De vez em quando olhava pela janela e via a neve acumulando, parecia que ia soterrar a casa.

Hoje o tempo está um pouco assim, aqui em São Paulo. Em vez de neve é uma chuvinha quase imperceptível, empurrada por um vento gelado. Tudo cinza. Desde manhã estou escrevendo, trabalhando num romance que não quero que acabe.

E por conta de estar nessa fase de escrever muito e viver pouco, acho que nos próximos dias voltarei às lembranças de Minnesota.



Escrito por Índigo às 13h51
[   ]


Notícias de vidas alheias

Certa vez estava lá no terreiro, assistindo a um trabalho de Preto Velho, quando me concentrei no caso de uma mulher que queria engravidar. Ela saiu de lá com uma fita azul amarrada na cintura e receita de tudo o que deveria fazer. Como ela era uma executiva poderosa e séria, aquela fitinha azul na cintura ficou a coisa mais ridícula.

Lembro também que escrevi algo sobre isso no 73 Obsessões. Pelas minhas contas, essa história aconteceu há 8 meses.

Ontem, estava lá novamente, quando a executiva voltou. Agora sem terninho e com um barrigão. Deve estar com uns seis meses. Foi agradecer.

Naquela época o episódio gerou a obsessão número 52, e levou o título de "O Teatro Ideal".

Como era blog de ficção, inventei que a executiva rasgaria a fita, entraria no carro e choraria de vergonha. Não seguiria instruções.

A realidade sempre me surpreende.



Escrito por Índigo às 16h07
[   ]


Puxando ferro

Ultimamente eu tenho lido Sartre. Cheguei a ele por conta da Simone de Beauvoir, que eu adoro. Tinha o maior bode dele. Achava que seria enfadonho e metido. Errado. Sartre é genial e agora eu não quero fazer outra coisa na vida.

Mas, fora ler Sartre, tenho puxado ferro. Comecei na sexta-feira. Clauber, meu novo treinador, montou uma rotininha ótima. Só ontem à noite voltei a andar.

Uma vez o Sartre mandou a Simone parar de reclamar da vida e ir cortar lenha. Eu achei isso de uma sensibilidade atroz, pois quando soube disso, eu era fã dela e inimiga dele. Agora entendi o motivo. Uma hora e meia de puxar ferro, ou cortar lenha - dá na mesma - é um santo remédio. Saio da academia com alma de borboleta. Paro por aqui. Malhação me chama.



Escrito por Índigo às 13h54
[   ]


Silêncio sem imagens

Eu não tenho televisão. Há anos vivo sem. Ontem não estava no pique de assistir ao jogo. Fiquei em casa trabalhando no meu projeto secreto. E por ficar com as janelas fechadas, no meio da tarde, trabalhando num projeto que ninguém pode saber, no meio de uma partida de Copa do Mundo, estava me sentindo como um agente secreto.

Gostei do jogo. Foi espetacular. Quando Bin Laden fez o 11 de setembro, ouvi pelo rádio. Foi assustador, cheguei a sair na rua só para ver como estava o mundo. Tive a impressão que mísseis seriam lançados. Não sei o que vocês viram ontem, mas através dos berros do meu vizinho, vi um time de verdade.



Escrito por Índigo às 15h47
[   ]


Cenários literários

Ontem escrevi o último capítulo de um romance de co-autoria. Eu e Maria José Silveira, grande escritora! Estamos trabalhando juntas há quase um ano. E ficou legal, muito legal. Tem também uma participação especial da Ivana Arruda Leite.

É um desses romances enormes e envolventes. A maior parte da ação acontece em duas casas. E esta foi a melhor parte: criar cenários. Acho que os livros que mais me cativaram foram aqueles em que os personagens ficavam trancafiados. Gosto disso

Segue uma listinha dos meus Top 5 cenários literários:

1. Hogwarts
Localização: qualquer Harry Potter da J.K Rowling

2. Camelot
Localização: várias, mas a melhor é em "Brumas de Avalon", de Marion Zimmer Bradley

3. A caverna de Ayesha
Localização: "Ela", de Rider Haggard

4. A torre da Talia
Localização: "Caixinha de Madeira", Índigo (não resisti, e é o que eu acho, mesmo)

5. O castelo labiríntico da Dhuoda
Localização: "A História do Rei Transparente", de Rosa Montero



Escrito por Índigo às 13h06
[   ]


Injeção na cabeça

Descobri que tenho um negócio chamado alopicia areata. Em outras palavras, os cabelos de determinada parte da minha cabeça estão caindo e não voltam. Formou um buraco careca. Isto, obviamente, é muito irritante.

O primeiro médico que procurei recomendou uma pomada que deixou meu cabelo (o que restou) oleoso. Não usei.

O segundo, natureba, disse que era estresse, e que a coisa só ia melhorar quando eu me equilibrasse totalmente: corpo, mente e alma. Sugeriu que eu cortasse as pontas, para fortalecer. Ele me trata como samambaia. Gosto dele. Ah, recomendou também um remedinho misterioso.

Mas o buraco continua lá, sem cabelo.

Hoje eu fui numa terceira médica. Ela disse que faremos aplicações de cortisona na minha cabeça. Minha cara deve ter sido péssima, pois ela explicou que não tem risco da cortisona alcançar meu cérebro. Quando a ponta da agulha encosta no crânio, ela retrai um pouquinho e aplica. Não senti muita firmeza. Já sou bem atrapalhada. A última coisa de que preciso é de cortisona na cabeça...

Se alguém aí entender alguma coisa sobre o assunto, por favor, agradeço a ajuda.



Escrito por Índigo às 15h32
[   ]


Já fui melhor

Ontem recebi um comentário dizendo que meu blog já foi melhor. Concordo. Antes, na série 73, eu tinha foco. Agora não. Agora faço um diário virtual normal. Na série 73 era literatura, nesse aqui é só rabisco.

No entanto, graças a esta mudança, voltei a trabalhar nos meus livros. Estou tão feliz por ter retomado minha escrita! E mais feliz ainda por ter voltado à toca. Agora fico aqui trabalhando escondida, sem mostrar para ninguém.

Atualmente guardo dois grandes segredos. São coisas que faço e ninguém sabe. Um deles eu vou revelar em agosto. E será inesperado. Bota inesperado nisso!

O outro, não. É particular. E enquanto escrevo essas palavrinhas, fico aqui rindo sozinha. Nada mais gostoso do que não contar. Ai, ai...



Escrito por Índigo às 17h44
[   ]


Muita corneta

Nunca dei muita bola pra futebol, mas nessa época não tem como escapar. Essa é a primeira copa que assisto de verdade, prestando atenção no jogo. Ontem, por exemplo, assisti ao primeiro tempo inteiro sem beber um gole de cerveja.

E daí eu vejo o Ronaldo tristonho daquele jeito, no meio da Copa do Mundo. Nunca acreditei nas alegrias eufóricas. Nas épocas em que fui mais alegre, não tinha nada espetacular acontecendo. Outro dia, por exemplo, dei uma voltinha pelo bairro. Estava gelado dentro de casa. Mas lá fora fazia um sol gostoso de inverno. Fui andando por aí. Pra mim foi mais que suficiente. Eu acho que o Ronaldo devia sair de lá. É muita gente, muita corneta. Quando foi a última vez em que ele deu uma voltinha pelo bairro?



Escrito por Índigo às 13h52
[   ]


Sinais de Aquário

Há poucos anos descobri que tenho ascendente em aquário. Fiquei chocada. Sou virginiana convicta: organizada, metódica, perfeccionista e, sim: obsessiva. Pra que serve um ascendente em aquário? Aquarianos são aquelas pessoas que não têm agenda, lêem três livros ao mesmo tempo e tocam gaita. Sei lá, não tem nada a ver comigo. Durante anos ignorei esse acidente de ascendente.

Recentemente ele resolveu se manifestar. Em menos de duas semanas recebi quatro telefonemas de pessoas reclamando que eu enviei contratos sem assinar.

- Impossível - eu respondia.
- Mas está aqui! Você mandou sem assinatura.

Eu me lembro de cada um dos contratos. Li, imprimi, tirei xerox, comprei envelope, fui até o correio, peguei fila, mandei. E não assinei. Não foram dois, ou três. Fiz isso quatro vezes! Ontem, lendo a respeito, aprendi que aquarianos não assumem compromissos.

Se eu ficar tão aquariana como fui virginiana, não sei o que será de mim...

 



Escrito por Índigo às 13h12
[   ]


Sobre bananas e sapatos apertados

Desisti da banana por vários motivos, mas o principal foi meu próprio conforto. Eu teria de passar o vôo inteiro sentada feito uma múmia, sem repousar a cabeça. Chegaria lá com torcicolo, vai saber. E daí eu passaria a andar feito múmia. Então achei melhor não.

Deve ser por isso que ninguém mais faz bananas. Já basta continuarmos usando salto alto. Uma vez a Margaret Atwood escreveu, e eu concordo:
"Ser mulher é como ser fazendeiro. O trabalho nunca acaba".

Aprendi muitas coisas nessa viagem à Brasília. Foi um cursinho intensivo na área de combate a inseguranças e outras nóias do tipo.

Mas a principal foi em relação a sapatos apertados.

Para lassear sapato de couro passe um pouco de condicionador de cabelo nos pontos em que aperta (pelo lado de dentro do sapato) e deixe repousando durante 12 horas. É infalível!

 



Escrito por Índigo às 14h32
[   ]


As pessoas do Niemeyer

Tenho pensado muito sobre o que o Niemeyer esperava da gente quando fez o que fez. Ele esperava que fôssemos mais equilibrados, ou que pelo menos tivéssemos eixo. Neimeyer acreditava nas pessoas. Prova disso é que aboliu os corrimãos.

Acreditava também que fôssemos fazer a nossa parte. Botar água nos espelhos d'água, por exemplo. Pelo que vi por lá, ninguém se lembra disso. Um espelho d'água sem água é só um tanque de concreto com fios aparecendo, e lodo. E olha que o Niemeyer gosta de espelhos d'água. Eu também gosto. Dá vontade de empurrar os outros lá dentro. Mas seco daquele jeito, perde a graça. Sem água para amortecer, a brincadeira fica violenta.

Tentei ver tudo aquilo como Niemeyer gostaria que fosse. E seria divertido.

Os deputados ficariam sentadinhos na borda daquele ovo rachado, balançando os pés, mais ou menos como os cavalheiros da távola redonda do Rei Artur. O orador ficaria no meio do ovo. A gente ficaria do lado de fora da casca. Se algum deputado tentasse escapar sem antes ter resolvido as coisas, a gente o empurraria de volta.


Uma pessoa desenhada por Niemeyer



Escrito por Índigo às 13h33
[   ]


Peripécias no Planalto

Eis as fotos!


Em pé: O Ministro da Educação, Fernando Haddad
Sentados: Marisa Letícia, Lulinha e José Alencar
A moça de rosa sou eu


Um detalhe do Ministro, para vocês entenderem do que estou falando


Final feliz! Eu, agora como escritora premiada.
Não canso de repetir: tiragem de 300 mil exemplares!
Em breve: outubro de 2006



Escrito por Índigo às 15h45
[   ]


Júlio se foi

Ficou uma florzinha azul que certa vez ele colocou nos meus cabelos, e que depois eu grudei no meu diário. Ela ainda está lá, amassada. Era uma florzinha de beira de estrada. Lembro que naquele dia a gente se perdeu. E seguimos andando, porque esquecemos que estávamos perdidos, então continuamos andando. Encontramos um cavalo sem cavaleiro e decidimos segui-lo. Anoiteceu. Depois esfriou. E só então resolvemos lembrar que estávamos perdidos. Estava bom ficar perdido daquele jeito. Mas eu tive medo. Júlio gostava de esquecer. Achava que ele tinha esquecido de mim. Hoje fiquei sabendo que ele esqueceu de viver.



Escrito por Índigo às 17h20
[   ]


Peripécias no Planalto: sim, beijei o Lula!

A cerimônia começou com um discurso do Ministro da Educação. Depois Cristiane Dantas Costa, a premiada na categoria novela, discursou lindamente. E daí me chamaram ao palco!

- Senhora Índigo, pela obra "Cobras em Compota"

Já?

E lá fui eu, sem saber direito como seria. Fui a primeira a ser chamada.
Lula, Dona Marisa e José Alencar estavam sentados. O Ministro em pé, olhando pra minha cara. Levantei e andei até o Ministro. Ele me entregou um certificado. Posamos para as fotos e trocamos beijinhos. Ele é lindo. Se não fosse Ministro, podia ir pra Globo. Voltei pra minha cadeira.

Sentei-me e percebi que esqueci de virar para trás e cumprimentar o Presidente! Ele estava sentadinho ali, com a Marisa Letícia, e eu esqueci dele.

Quis me enfiar num buraco. Mas daí não tinha mais volta...

No final, na hora da foto oficial, disse:

- Senhor presidente... - e parei nos três pontinhos. Lula entendeu tudo.

Abriu os braços e me deu um longo e apertado abraço.
- Parabéns! - disse.
- Obrigada - respondi - e desculpa.

Ele deu um sorrisão e repetiu mais um parabéns. E se foi. Foi trabalhar, imagino. Nosso abraço foi bem fotografado. Senti os flashes. Espero receber a foto em breve.

Espero também, em breve, conseguir descarregar minhas próprias fotos. A máquina é emprestada. Estou aqui brigando com cabos, instalação de programa e minhas próprias limitações tecnológicas.



Escrito por Índigo às 16h53
[   ]


Laquê tem limite

Recebi as instruções! Não haverá risco. Serei transportada até o Palácio e haverá uma equipe para impedir que eu me perca, ou escorregue, ou coisas assim. Descobri também que posso levar um acompanhante. Como não tenho um, pensei...

E se eu botar um anúncio no blog perguntando se alguém quer me acompanhar numa cerimoniazinha oficial no Palácio do Planalto? Deve ter alguém em Brasília que me lê. Vai que a pessoa está desocupada? Seria legal...

Pensei um pouquinho melhor e percebi que a idéia não era tão boa assim. E se o meu acompanhante der uma bengalada no Lula? E se ele explodir bem do meu lado? E se ele levar uma torta escondida dentro da mochila?

Em qualquer um desses casos, meu laquê de cabelo não adiantará de nada. Vou sozinha mesmo. Volto na sexta-feira, e trarei novidades!



Escrito por Índigo às 14h56
[   ]


Literatura e cabelos

Na quinta-feira viajo para Brasília para receber um prêmio literário (I Concurso Literatura Para Todos). Será no Palácio do Planalto, às 11 da manhã, num cerimonial com o Presidente do Brasil.

Há dez dias sei disso, e há dez dias penso numa única coisa: meu cabelo. Tive que pedir ajuda às amigas. Discutimos longamente e ficou resolvido que farei uma banana no cabelo. Usaremos laquê. Ele ficará duro e quieto. Fizemos testes de banana. Agora sei fazer bananas no cabelo.

Mas como passei os últimos dez dias pensando no meu cabelo, só hoje me dei conta de uma coisa: como é que eu vou entrar no Palácio do Planalto? Até onde eu sei, não tem campainha. Deve ter guardas. E o que eu digo pro guardinha?

- Oi! Eu vim receber um prêmio aí.

- Tá vendo aquela rampa? Suba e siga em frente.

Sei lá. Estou meio perdida. Na dúvida, escolhi um sapato antiderrapante. Laquê no cabelo e sola antiderrapante. Rezem por mim.



Escrito por Índigo às 16h47
[   ]


O Homem que disse Venâncio

Um dos motivos por que fico revisando textos no Fran's Café é para poder ouvir a conversa dos outros. Nesse dia a conversa da mesa ao lado se dava entre um ator experiente e a jovem atriz. Ele beirava os 125. Ela tinha cem anos a menos. O velho era todo cheio das verdades. Começou a falar sobre sensibilidade, coisa de artista.

Voltei ao texto. Estava procurando a parte onde tinha parado. A frase era:

"O nome dela pode ser Laís Venâncio". E nesse instante o velho disse:

- Meu vizinho, o Venâncio, por exemplo.

No exato instante em que eu li "Venâncio" - no meu texto - , o velho falou "Venâncio"!

Larguei o texto e olhei pra cara do velho. Algo aconteceria. Era um sinal. As pessoas começariam a cantar, o velho se transformaria num espírito, alguém me entregaria um envelope lacrado, alguma coisa. Passei o resto do dia esperando alguma coisa.

Estava a dois quarteirões de casa quando um carro passou por uma poça d'água e me encharcou. Do outro lado da rua, Nora, a costureira espanhola, gritou meu nome.

Finalzinho mixuruca...



Escrito por Índigo às 15h44
[   ]


Explicação inicial: Síndrome de Odalisca

Eu tinha de ser diferente. Afinal, eu era criativa.

Nos bailes de carnaval, entre bandos de odaliscas, eu era a avestruz. Coberta de penas e com um ovo debaixo do braço, eu me sentia única.

Desprezava aquelas odaliscas coloridas com seus chapeuzinho de caixinha de catupiry. Aquilo não era pra mim.

O tempo passou. Acabaram os bailes, começam os blogs. Ridículo. Eu jamais escreveria um diário na internet. Eu não. Eu sou diferente. E lá fui eu, escrever minha série 73. Tudo muito criativo, muitos acessos, mas a verdade é que, no fundo, ainda quero o chapeuzinho de caixinha de catupiry. E é isso o que eu vou fazer aqui.

Diário da Odalisca é uma tentativa de normalidade. Sem regras, sem formato, sem estrepolias. Um diário normal. Enfim, algo que nunca fiz na vida.



Escrito por Índigo às 15h40
[   ]